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Q3367063 Medicina
S.V.C., de 28 anos de idade, GII P0 AI, com idade gestacional de 31 semanas, deu entrada no pronto-socorro obstétrico, encaminhada do pré-natal, por pressão arterial: 150 x 100 mmHg e assintomática. Constataram-se nos exames laboratoriais: relação proteína na urina/creatinina na urina: 0,3, TGO: 15, TGP: 20, plaquetas: 150.000. Ao ultrassom obstétrico, foram verificados peso fetal no percentil 3, MBV: 3,5 cm, diástole zero na artéria umbilical, ducto venoso: 0,6. A paciente nega comorbidades.
Considerando o caso apresentado, assinale o diagnóstico correto.
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Tema central: diagnóstico obstétrico de Restrição de Crescimento Fetal (RCF) e Hipertensão específica da gestação, com uso de critérios clínicos, laboratoriais e dopplerfluxométricos.

Alternativa correta: B — RCF precoce e pré-eclâmpsia.

Por quê?

- RCF: estimativa de peso fetal percentil 3 configura RCF. A classificação em precoce é feita quando o diagnóstico ocorre antes de 32 semanas — aqui, 31 semanas. O achado de diástole zero na artéria umbilical reforça insuficiência placentária típica da RCF precoce (SMFM Consult Series, 2020).

- Pré-eclâmpsia: pressão arterial 150x100 mmHg após 20 semanas + proteinúria com relação proteína/creatinina ≥ 0,3 (aqui, 0,3) confirmam o diagnóstico, mesmo sem sintomas ou alterações laboratoriais graves (ACOG PB 222, 2020; UpToDate). Plaquetas 150.000 e TGO/TGP normais afastam gravidade.

Estratégia de prova (pegadinhas):

- Valor de P/C = 0,3 já é positivo (critério é ≥0,3).
- RCF precoce: use a idade gestacional do diagnóstico (<32s), não confunda com peso absoluto.
- “Superajuntada” exige hipertensão crônica prévia — não presente aqui.

Análise das alternativas incorretas

A) RCF precoce e hipertensão gestacional transitória: errado porque há proteinúria (P/C 0,3). Hipertensão gestacional é sem proteinúria/sem sinais de gravidade.

C) RCF tardia e iminência de eclâmpsia: “tardia” está incorreto (31s = precoce). Não há sinais de iminência de eclâmpsia: sem cefaleia, escotomas, dor epigástrica, PA grave (≥160/110) ou alterações laboratoriais.

D) RCF tardia e pré-eclâmpsia superajuntada: “tardia” errado; “superajuntada” requer HAS crônica prévia, negada pela paciente e não documentada.

E) RCF tardia e HELLP parcial: HELLP exige enzimas hepáticas elevadas e/ou plaquetopenia; aqui TGO/TGP normais e plaquetas 150.000, logo não compatível. Além disso, “tardia” errado.

Conduta (extra para fixação): pré-eclâmpsia sem gravidade + RCF precoce com diástole zero: vigilância intensiva (Doppler seriado, CTG), corticoterapia antenatal, considerar internação; antihipertensivo se PA grave; sulfato de magnésio para eclampsia apenas se critérios de gravidade; timing de parto guiado por Doppler/CTG/idade gestacional (SMFM/ACOG).

Referências: ACOG Practice Bulletin 222 (2020, rev. 2023); SMFM Consult Series – FGR (2020); UpToDate – Diagnosis of preeclampsia; WHO recommendations on antenatal care.

Gabarito: B — RCF precoce e pré-eclâmpsia.

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