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Q3367061 Medicina
S.B.N., de 34 anos de idade, GII PI 1N A0, com gestação única e idade gestacional de 21 semanas, vai à medicina fetal para ultrassom morfológico de segundo trimestre. Como antecedentes, a paciente refere trabalho de parto prematuro anterior, com idade gestacional de 30 semanas. Após avaliação do colo uterino, identifica-se comprimento do colo de 23 mm, além da presença de sludge.
Considerando o caso apresentado e os estudos atuais em relação à prematuridade, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada a ser adotada. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: prevenção de parto prematuro em gestante com história de prematuridade (30s), colo curto (23 mm) aos 21s e presença de sludge (material ecogênico intra-cervical associado a inflamação/infecção subclínica). Situação de alto risco para novo parto prematuro.

Gabarito: A – Antibioticoterapia VO, cerclagem uterina e progesterona.

Justificativa: Em gestantes com parto prematuro espontâneo prévio <34 semanas e CL <25 mm antes de 24s, a cerclagem está indicada (cerclagem guiada por US). A progesterona vaginal (ex.: 200 mg/dia, até 36-37s) reduz risco de prematuridade via efeitos anti-inflamatórios e tocolíticos. A presença de sludge sugere microbiota patogênica/biofilme no orifício interno e maior risco de progressão para trabalho de parto prematuro; muitos serviços adotam antibioticoterapia VO (p.ex., azitromicina ± amoxicilina-clavulanato por 7–10 dias) na ausência de sinais sistêmicos, visando tratar infecção subclínica. Essa combinação aborda os três pilares: mecânico (cerclagem), hormonal (progesterona) e infeccioso (ATB VO).

Evidências e diretrizes: ACOG Practice Bulletin 234 (Prevenção de parto prematuro), SMFM Consult sobre cerclagem/colo curto e UpToDate recomendam cerclagem para pré-termo prévio + CL<25 mm. Progesterona vaginal é recomendada em colo curto. O uso de antibiótico para sludge tem evidência limitada/observacional, porém é prática adotada em cenários de alto risco (FEBRASGO/ambientes institucionais), especialmente sem sinais de corioamnionite.

Análise das alternativas incorretas:

  • B – ATB EV e progesterona: Falta cerclagem (indicação formal). ATB EV é reservado para infecção sistêmica/corioamnionite; aqui não há sinais sistêmicos.
  • C – ATB EV e cerclagem: Ausência de progesterona, que é componente essencial em colo curto. Via EV indevida sem infecção clínica.
  • D – Progesterona isolada via vaginal: Insuficiente no contexto de pré-termo prévio + CL<25 mm, em que a cerclagem reduz desfechos adversos.
  • E – Conduta expectante e repouso: Repouso não previne prematuridade e pode trazer danos; perderíamos janela para cerclagem (idealmente até 24s).

Estratégia para a prova: Marque palavras-chave: “pré-termo prévio <34s”, “CL<25 mm antes de 24s”, “sludge”. Isso aponta para cerclagem + progesterona. Sem sinais sistêmicos, prefira ATB VO quando há sludge. Cuidado com a pegadinha da via EV e com perder o tempo da cerclagem (<24s).

Referências úteis: ACOG PB 234 (2021, atualizações), SMFM Consult Series (Short cervix/Cerclage), UpToDate: Cervical cerclage; FEBRASGO – prematuridade.

Conclusão: Diante de alto risco (pré-termo prévio, CL 23 mm, 21s) e sludge, a conduta mais completa é antibioticoterapia VO + cerclagem + progesterona vaginal.

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