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Q3367060 Medicina
P.E.F., de 28 anos de idade, GII PI 1N A0, com idade gestacional (USG precoce) de 34 semanas, HIV positivo, carga viral 1.500 cópias/mL, CD4 190 cels/mL, em uso de TARV há cerca de 10 dias, deu entrada no pronto-socorro obstétrico com queixa de perda de líquido há cerca de 30 minutos e dor lombar e em hipogástrio. Ao exame obstétrico, constatou-se colo: 4 cm, esvaecido em 50%, posterior, bolsa rota, com saída de líquido claro sem grumos pelo orifício externo do colo uterino e BCF: 155 bpm.
Em relação ao caso apresentado, assinale a alternativa correta.
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Tema central: prevenção da transmissão vertical do HIV no intraparto em gestante com trabalho de parto pré-termo (34 semanas) e bolsa rota, com carga viral >1.000 cópias/mL e TARV recente (10 dias), portanto sem supressão virológica.

Alternativa correta: CZidovudina (AZT) endovenosa no intraparto, com dose de ataque e manutenção, deve ser iniciada imediatamente quando a carga viral materna é ≥1.000 cópias/mL ou desconhecida. Esquema: 2 mg/kg EV em 1 hora (ataque) e depois 1 mg/kg/h até o clampeamento do cordão; idealmente por ≥3 horas antes do parto, mas não se deve adiar o início (Ministério da Saúde – PCDT Prevenção da Transmissão Vertical; ACOG; UpToDate). Isso reduz a viremia intraparto e o risco de transmissão ao RN.

Raciocínio clínico-chave: sinais de parto ativo (4 cm, bolsa rota) em 34s e carga viral 1.500: a via de parto eletiva (cesariana) só reduz transmissão se programada antes do trabalho de parto/rotura quando VL ≥1.000. Aqui, a medida com maior impacto imediato é o AZT EV, além de manter a TARV, evitar procedimentos invasivos e assistência obstétrica padrão.

Por que as outras estão incorretas:

ASulfato de magnésio para neuroproteção é indicado até 31–32 semanas (alguns protocolos até 33+6), quando o parto é iminente. Em 34 semanas, não há benefício comprovado (MS/OMS/FIGO).

BCorticoterapia antenatal: a janela clássica é 24–34 semanas. Em 34s com parto iminente (4 cm e bolsa rota), é improvável alcançar o benefício (precisa ~24 h). O uso “late preterm” (34–36+6) é seletivo e não se aplica quando o parto é imediato (ACOG/NIH; MS).

DPriorizar via vaginal para reduzir infecção é conceitualmente errado. Com VL ≥1.000, a cesariana eletiva antes do trabalho de parto/rotura reduz a transmissão; em trabalho de parto avançado o benefício é incerto, e a via deve ser individualizada. Portanto, não há “priorização da via vaginal” por redução de risco (ACOG; MS; UpToDate).

E – A profilaxia antirretroviral neonatal é sempre indicada, mesmo com TARV materna adequada. Esquemas variam conforme risco: AZT VO por 4 semanas (baixo risco) ou combinação de 2–3 drogas (alto risco, como VL ≥1.000, TARV tardia) segundo MS/CDC/WHO. Logo, dizer que não é necessário AZT ao RN está incorreto.

Dicas de prova: identifique rapidamente VL ≥1.000 e TARV recente → pense em AZT EV. Em 34 semanas com dilatação e bolsa rota, corticoide e MgSO₄ tendem a não trazer benefício por tempo/idade gestacional. Lembre: via de parto depende da carga viral e momento (eletiva vs. em trabalho).

Fontes: Ministério da Saúde – PCDT Prevenção da Transmissão Vertical do HIV; ACOG Practice Bulletin/Committee Opinion sobre HIV na gestação; UpToDate – Prevention of mother-to-child transmission of HIV; WHO/CDC guidelines.

Gabarito: C

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