De onde vieram os diamantes rosas? De um
continente se quebrando em dois
Essa é a nova hipótese para explicar como esses
minerais – muito mais raros que diamantes
comuns – se formaram na Austrália.
Levando em consideração todas as minas já
descobertas até agora, existem 260 toneladas de
diamantes no mundo. Só uma minoria é
destinada a joias (até porque nem todos têm as
características necessárias para fazê-las): 80%
deles vão para a indústria de ferramentas de corte
e polimento – devido à forma como seus átomos
de carbono são ordenados, ele é o mineral mais
duro que existe. A questão é que, para adornar
colares e anéis, são usados poucas gramas da
pedra. Anéis mais simples, em torno de R$5 mil,
costumam usar 0,2 quilates – ou seja, 0,04
gramas. Daria para produzir 1,3 bilhão deles. O
motivo dessas joias serem tão caras não é a
raridade, e sim uma mistura de marketing e
monopólio na extração. [...] Diamantes rosas, por
outro lado, são realmente raros. Dependendo da
saturação do rosa, o preço pode flutuar; mas eles
são mais caros do que seus equivalentes
tradicionais. Cerca de 90% das pedras dessa cor
vieram de uma mina na Austrália, fechada desde
2020. Agora, cientistas buscam mais
informações sobre a formação desses diamantes
– e pistas de onde encontrar mais.
Um estudo, publicado no periódico especializado
Nature Communications, descreve as pesquisas
realizadas na região de Argyle, no oeste da
Austrália. Usando lasers para analisar minérios e
rochas encontrados em uma mina, os
pesquisadores descobriram que um grande
depósito de diamantes rosa se formou há 1,3
bilhões de anos, com a separação de um
supercontinente em duas partes. Diamantes
amarelos e azuis, por exemplo, são formados
quando outros elementos, como boro, enxofre e
nitrogênio, interagem com o carbono. Um
diamante rosa é diferente: ele é puro como um
diamante branco, mas fica rosado graças a uma
distorção na sua estrutura cristalina. Alguns
átomos de carbono organizados de maneira
diferente alteram as características da luz refletida pelo diamante. Para que isso aconteça,
ele tem que ser submetido a forças intensas de
calor e pressão. Diamantes, por si só, já são
formados em condições extremas, mas uma
segunda dose distorce a estrutura comum e
confere a coloração única. Então, na verdade, as
versões rosas são basicamente diamantes brancos
“danificados”.
No caso da mina australiana, isso aconteceu
quando duas placas tectônicas colidiram, 1,8
bilhões de anos atrás. Após a colisão, as
pedrinhas rosas ficaram escondidas centenas de
quilômetros abaixo da superfície, longe das mãos
dos humanos que surgiriam muito, muito tempo
depois. Como elas subiram? É aí que entra a nova
pesquisa. Os cientistas supõem, pela idade das
rochas em Argyle, que o depósito tenha sido
formado a partir da fragmentação de um
supercontinente. Conhecido como Nuna ou
Columbia, o supercontinente começou a se
separar por volta de 1,3 a 1,2 bilhões de anos
atrás, o que bate com a datação apontada pelos
cientistas. A hipótese deles é de que a
fragmentação de Nuna tenha reaberto a fenda
deixada na formação dos diamantes rosas.
Possibilitando que as joias ficassem mais
próximas da superfície terrestre.
“Embora o continente que se tornaria a Austrália
não tenha se dividido, a área onde Argyle está
situada foi esticada, inclusive ao longo da
cicatriz, o que criou lacunas na crosta terrestre
para que o magma subisse para a superfície,
trazendo consigo diamantes rosa”, afirma Hugo
Olierook, um dos autores do estudo. A pesquisa
é interessante não só por dar mais pistas sobre a
origem dos diamantes rosas, mas também por
apontar possíveis condições para a exploração de
novas minas. “Acreditamos que, enquanto estes
três ingredientes estiverem presentes – carbono
profundo, colisão continental e depois
estiramento – será possível encontrar a ‘próxima
Argyle’, que já foi a maior fonte mundial de
diamantes naturais.”
Considere o excerto: “Essa é a nova hipótese para
explicar como esses minerais – muito mais raros
que diamantes comuns – se formaram na
Austrália.” Quanto às classes gramaticais, as
palavras “essa”, “hipótese”, “raros” e “se”
classificam-se, respectivamente, como:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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