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Q3367052 Medicina
T.G.B., de 26 anos de idade, primigesta, com 10 semanas de idade gestacional, chega à segunda consulta de pré-natal com os seguintes exames laboratoriais: tipagem sanguínea A negativo, coombs indireto negativo, toxoplasmose IgG positivo e IgM positivo, rubéola IgG negativo e IgM negativo, glicemia de jejum: 92 mg/dL.
Com base no resultado das sorologias, assinale, entre as alternativas a seguir, a que representa a conduta mais adequada em relação ao caso clínico apresentado. 
Alternativas

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Tema central: interpretação de sorologias na gestação, especialmente toxoplasmose no 1º trimestre, e condutas seguras com base em diretrizes.

Alternativa correta: C — Solicitar teste de avidez para IgG de toxoplasmose.

Em gestantes com IgG+ e IgM+ para toxoplasmose, o primeiro passo é diferenciar infecção recente de infecção antiga, pois o IgM pode permanecer positivo por meses (até 12–18 meses). O teste de avidez da IgG resolve essa dúvida: avidez alta no 1º trimestre sugere infecção antiga (pré-concepção) e avidez baixa aponta para infecção recente, exigindo tratamento e investigação fetal. Essa é a conduta recomendada por diretrizes do Ministério da Saúde e por revisões do UpToDate.

Estratégia de prova: viu IgG+/IgM+ no início da gestação? Não trate de imediato: confirme com avidez (e/ou repetição em outro laboratório). Evita tratar falsos “agudos”.

Análise das alternativas incorretas

A) Prescrever espiramicina VO. A espiramicina é indicada quando a infecção materna aguda é confirmada ou muito provável (especialmente até 16 semanas) para reduzir transmissão placentária. Aqui, com IgG+/IgM+ sem datação da infecção, a conduta inicial é avidez. Em alguns serviços, pode-se iniciar enquanto aguarda resultado se a suspeita clínica for alta, mas em provas, com base apenas nas sorologias, o passo correto é confirmar a recência antes de tratar. (MS Brasil; UpToDate)

B) Terapia tríplice (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico). Contraindicada no 1º trimestre pela potencial teratogenicidade da pirimetamina. É reservada após 14 semanas quando há infecção fetal confirmada (PCR do líquido amniótico positivo) ou forte suspeita. (MS; CDC)

D) Prescrever a vacina tríplice viral (MMR). Vacina vírus vivo atenuado; é contraindicada na gestação. Com sorologia negativa para rubéola, a conduta é vacinar no puerpério. (MS; OMS)

E) Prescrever imunoglobulina anti-D no 1º trimestre. Gestante Rh– e Coombs indireto negativo não requer anti-D de rotina agora. A imunoprofilaxia é feita após eventos sensibilizantes (sangramento, procedimentos invasivos, trauma) e rotineiramente às 28 semanas e no pós-parto se RN for Rh+. (MS; ACOG)

Dica extra: cuidado com a “pegadinha” do IgM positivo = infecção aguda. Sempre pense em persistência do IgM e peça avidez da IgG para definir a conduta.

Referências rápidas: Ministério da Saúde – Protocolo de atenção à gestante com toxoplasmose; UpToDate – Toxoplasmosis in pregnancy; OMS/CDC – vacinação na gestação; ACOG – imunoprofilaxia anti-D.

Gabarito: C

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