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Q3367050 Medicina
E. B. C., de 35 anos de idade, GIII PII 1C 1N A0, com idade gestacional de 32 semanas e 1 dia, chega ao pronto-socorro obstétrico, encaminhada da medicina fetal por ultrassom obstétrico demonstrando feto em apresentação cefálica, peso fetal no percentil 3, MBV: 2,5 cm; doppler de artéria umbilical com diástole zero. Ducto venoso: 0,6. Ao exame físico: pressão arterial: 130 x 80 mmHg, BCF: 140 bpm, DU ausente, TV: colo impérvio, grosso e posterior. Assintomática. Nega comorbidades. Laboratorial: relação proteína na urina/ creatinina na urina: 0,4.
Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta a ser adotada.
Alternativas

Gabarito comentado

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Comentário do Gabarito:

Tema central: O caso aborda restrição de crescimento fetal (RCF) identificada por fetometria abaixo do percentil 10 e, mais gravemente, abaixo do percentil 3, associada a alterações críticas no Doppler da artéria umbilical (diástole zero) e necessidade de monitorização fetal intensiva.

Justificativa para a alternativa correta (E):

O achado de feto com peso no percentil 3 e diástole zero na artéria umbilical indica insuficiência placentária significativa, porém, em pacientes assintomáticas, sem sinais de deterioração fetal avançada (como ducto venoso alterado ou bem-estar fetal comprometido), a orientação majoritária das diretrizes nacionais e internacionais é monitorização estreita do Doppler fetal até a 34ª semana. O objetivo é retardar a prematuridade extrema, acompanhando os principais marcadores de decompensação para intervir antes do sofrimento fetal.

De acordo com o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde (p. 298-300):

“A presença de diástole zero antes de 34 semanas comporta conduta expectante com vigilância intensiva, sobretudo quando o ducto venoso estiver normal.”

Por isso, a alternativa Eacompanhamento do ducto venoso e da artéria umbilical até a idade gestacional de 34 semanas — é a CONDUTA recomendada neste cenário.

Análise das alternativas incorretas:

A) Sulfato de magnésio é reservado para neuroproteção fetal apenas abaixo de 32 semanas ou em iminência de parto, o que não é o caso.

B) Indução com misoprostol não está indicada em gestação pré-termo com feto pequeno e desacompanhado de comprometimento fetal extremo ou sofrimento agudo.

C) Sonda de Foley é método de preparo cervical, mas a indicação do parto ainda não foi estabelecida, pois não há sinais de deterioração fetal iminente.

D) Indicação eletiva de cesárea somente após 37 semanas é equivocada, pois fetos com RCF e alteração Doppler não devem aguardar até termo sem vigilância intensiva.

Dica de prova: Atenção para detalhes como “diástole zero” e ausência de comprometimento agudo; pode haver pegadinha ao testar sua tendência ao intervencionismo precoce sem devida indicação.

Conclusão: A conduta expectante, com acompanhamento pelo Doppler, protege o feto dos riscos da prematuridade enquanto monitora sinais de descompensação, em pleno acordo com o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde e publicações como UpToDate e FEBRASGO.

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