Molares decíduos com lesão de cárie cavitada e ativa, que a...
Molares decíduos com lesão de cárie cavitada e ativa, que apresentam reabsorção radicular relacionada ao processo de esfoliação, devem ser restaurados, mesmo que o tempo de permanência em boca seja pequeno. Isso se deve ao fato de que as lesões cavitadas, sendo restauradas, possibilitarão melhor controle do biofilme dentário. Nesses casos, indica-se o uso de cimento de ionômero de vidro convencional. Considerando-se esse contexto e a aplicação do cimento de ionômetro de vidro, analise as assertivas a seguir:
I.Condicionamento das estruturas dentais com ácido poliacrílico deve ser utilizado previamente ao uso do cimento de ionômero de vidro.
II.O cimento de ionômero de vidro deverá ser protegido em sua superfície externa após a conclusão da restauração para evitar desidratação.
III.O condicionamento da dentina não é necessário ser realizado, somente deve-se usar ácido fosfórico no esmalte dentário previamente ao uso do cimento de ionômero de vidro.
IV.O cimento de ionômero de vidro deverá ser fotopolimerizado somente após o encerramento do período de sinérese e embebição.
É correto o que se afirma em:
Gabarito comentado
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Gabarito: B — I e II apenas
Tema central: manejo restaurador de molares decíduos com cárie cavitada ativa e reabsorção radicular fisiológica, usando cimento de ionômero de vidro (CIV) convencional para controlar biofilme, reduzir sensibilidade e manter função até a esfoliação. O CIV convencional adere quimicamente ao esmalte/dentina, libera flúor e é sensível à umidade e à desidratação nas primeiras horas.
Justificativa das assertivas corretas
I. O condicionamento com ácido poliacrílico (10–20%) por 10–20 s remove a smear layer, expõe cálcio da hidroxiapatita e melhora a adesão iônica do CIV ao esmalte e à dentina. Evidência clássica em Odontopediatria e restaurações minimamente invasivas (AAPD Best Practices – Pediatric Restorative Dentistry; Mount & Hume; McDonald & Avery).
II. Após a inserção, a superfície deve ser protegida (verniz, vaselina, resina protetora) para evitar desidratação (rachaduras/craze) e contaminação por umidade (dissolução superficial) durante a maturação inicial do CIV. Recomendação presente no Manual ART da OMS e nas diretrizes da AAPD.
Análise das assertivas incorretas
III. Incorreta. Não se usa ácido fosfórico previamente ao CIV convencional, pois ele sobrecondiciona a dentina, remove cálcio necessário à ligação iônica e pode aumentar sensibilidade. O correto é o poliacrílico em esmalte e dentina (AAPD; Mount & Hume).
IV. Incorreta. O CIV convencional não é fotopolimerizável; ele presa por reação ácido–base e passa por maturação (especialmente nas primeiras 24 h). Termos como sinérese e embebição aplicam-se a hidrocolóides (ex.: alginato), não ao CIV. A fotopolimerização só se aplica ao CIV modificado por resina, o que não é o caso informado.
Estratégia de prova:
- Identifique a palavra-chave “convencional” para diferenciar de CIV modificado por resina (este sim requer luz).
- Associe condicionamento = poliacrílico (não fosfórico) e proteção superficial imediata.
- Desconfie de termos deslocados (p.ex., “sinérese/embebição” para CIV) — pista de pegadinha.
Referências essenciais: AAPD Best Practices – Pediatric Restorative Dentistry (atualizações recentes); Manual ART/OMS (Frencken et al.); Mount & Hume – Preservation and Restoration of Tooth Structure; McDonald & Avery – Dentistry for the Child and Adolescent.
Conclusão: Correta a alternativa B porque o sucesso clínico do CIV convencional depende do condicionamento com poliacrílico e da proteção superficial, não havendo fotopolimerização nem uso de ácido fosfórico.
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