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Q3367041 Medicina
Mulher de 28 anos de idade vai à consulta ginecológica queixando-se de corrimento de odor forte. Ao exame especular, verifica-se secreção vaginal fétida, amarelo-acinzentada e bolhosa. O esfregaço do conteúdo vaginal corado pelo Gram demonstrou clue cells.
Assinale a alternativa que expressa o diagnóstico do quadro clínico apresentado.
Alternativas

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Tema central: corrimento vaginal infeccioso. A questão exige diferenciar as principais causas de vaginite/vaginose a partir de pistas clínicas e microscópicas.

Alternativa correta: B – Vaginose bacteriana (VB).

Por quê? VB cursa com odor fétido (peixe), corrimento fino, homogêneo, acinzentado-amarelado e pH > 4,5. O achado microscópico típico é a presença de clue cells (células epiteliais revestidas por bactérias), um dos critérios de Amsel e altamente sugestivo de VB. A fisiopatologia envolve redução de Lactobacillus e aumento de anaeróbios, com produção de aminas voláteis que geram o odor (teste das aminas/“whiff”).

Diagnóstico (na prática de prova): Amsel (≥3 de 4): 1) corrimento homogêneo; 2) pH >4,5; 3) teste das aminas positivo (KOH 10%); 4) clue cells ≥20% no esfregaço. Padrão-ouro laboratorial: escórnio de Nugent na coloração de Gram. Dica: viu clue cells = pense em VB.

Conduta recomendada: Metronidazol 500 mg VO 12/12h por 7 dias ou gel de metronidazol 0,75% intravaginal por 5 dias; alternativa: clindamicina creme 2% por 7 dias. Tratar gestantes sintomáticas. Em VB, não é rotineiro tratar parceiro. Evitar duchas vaginais; orientar evitar álcool durante o uso de metronidazol e por 24–48h após.

Por que as outras estão erradas?

A) Tricomoníase: corrimento tipicamente espumoso (“bolhoso”), amarelo-esverdeado, prurido importante, colo em “morango”, pH >4,5. Microscopia mostra tricomonas móveis, não clue cells. Além disso, tratar sempre a(o) parceira(o). O achado-chave aqui (clue cells) aponta para VB.

C) Vaginite descamativa (vaginite inflamatória/Aerobic vaginitis): quadro inflamatório com dor/ardor, dispareunia e corrimento purulento; pH alto. Citologia com células parabasais e leucócitos tóxicos, sem clue cells. Odor típico não é o de “peixe”.

D) Cervicite gonocócica: secreção mucopurulenta endocervical, colo friável, possível dor pélvica. Gram pode mostrar diplococos Gram-negativos intracelulares, não clue cells. Odor não é marcante.

E) Candidíase: corrimento branco grumoso (“coalhada”), prurido/ardor intensos, vulvite acentuada, pH ≤4,5. Microscopia com pseudohifas e brotamento, sem clue cells; odor fétido não é típico.

Pegadinhas e estratégia: a palavra “bolhosa/espumosa” sugere tricomoníase, mas o dado decisivo é a presença de clue cells, que direciona para VB. Sempre hierarquize o achado microscópico mais específico.

Referências essenciais: CDC STI Treatment Guidelines (2021/2024); UpToDate – Bacterial vaginosis; Ministério da Saúde – Protocolo de IST; FEBRASGO – Manual de Ginecologia.

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