Mulher de 28 anos, com diabetes mellitus tipo 1, dá entrada ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4039353 Medicina
Mulher de 28 anos, com diabetes mellitus tipo 1, dá entrada no pronto-socorro com náuseas, vômitos, dor abdominal e dispneia. Ao exame, apresenta sinais de desidratação, taquipneia profunda e hálito cetônico. Ao realizar os exames laboratoriais, os resultados mostram glicemia = 480mg/dL, pH arterial = 7,12, bicarbonato = 9mEq/L, ânion gap elevado e potássio sérico = 3,2mEq/L. Considerando o manejo inicial desse caso clínico, a conduta mais adequada é:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O dado decisivo é o potássio sérico de 3,2 mEq/L, abaixo de 3,3 mEq/L. Na cetoacidose diabética, essa hipocalemia exige reposição de potássio e fluidoterapia com cristalóide isotônico antes do início da insulina, pois a insulinoterapia reduz ainda mais o potássio sérico e pode precipitar arritmias.

Tema central: Cetoacidose diabética com hipocalemia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque K+ de 3,2 mEq/L contraindica iniciar insulina antes da correção do potássio, independentemente da via, já que a insulina piora a hipocalemia. Além disso, no manejo inicial deste quadro, a abordagem correta é hidratação venosa e correção do potássio, não insulina subcutânea como primeira medida.
B
Errada
Está errada porque bicarbonato não é indicado rotineiramente na cetoacidose diabética e costuma ser reservado para acidemia extrema, em geral com pH menor que 6,9. Aqui o pH é 7,12. A conduta decisiva continua sendo reposição volêmica, correção do potássio e, depois, insulina.
C
Errada
Está errada porque descreve a conduta habitual da cetoacidose diabética, mas em sequência inadequada para este caso. Com K+ abaixo de 3,3 mEq/L, a insulina intravenosa contínua não deve ser iniciada imediatamente. O ponto decisivo é que a insulinoterapia deve ser postergada até a correção inicial do potássio.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso é de cetoacidose diabética e o achado que muda a sequência terapêutica é o potássio sérico de 3,2 mEq/L. Nessa situação, a prioridade inicial é repor volume com solução cristalóide isotônica e corrigir o potássio antes de iniciar a insulinoterapia, já que a insulina desloca potássio para o meio intracelular e pode agravar a hipocalemia. A insulina deve ser iniciada apenas após a correção inicial do K+ para pelo menos 3,3 mEq/L.
Pegadinha da questão
A banca explorou a tendência de indicar insulinoterapia imediata em toda cetoacidose diabética. Aqui isso fica errado porque o potássio de 3,2 mEq/L muda a ordem da conduta.
Dica para questões semelhantes
  • Em cetoacidose diabética, confirme o diagnóstico e verifique o potássio sérico antes de definir a sequência do tratamento.
  • Se K+ estiver abaixo de 3,3 mEq/L, a prioridade inicial é cristalóide isotônico e reposição de potássio; a insulina vem depois.
  • Não indique bicarbonato apenas porque há acidemia na cetoacidose; seu uso é reservado, em geral, para pH menor que 6,9.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo