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Analise as afirmativas sobre lesões traumáticas e assinale a...

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Q4110052 Medicina

Analise as afirmativas sobre lesões traumáticas e assinale a alternativa correspondente.


I - As lesões traumáticas da coluna cervical alta são relativamente raras e sua exata incidência não é bem conhecida, pela sua ocorrência em vítimas fatais de acidentes automobilísticos. As lesões neurológicas são raras, devido à relação entre o diâmetro do canal vertebral e o espaço ocupado pela medula espinhal. No entanto, as lesões neurológicas na coluna cervical alta apresentam prognóstico diferente e podem ser fatais, devido à presença do centro medular da respiração nesse nível da medula espinhal.


II - As lesões traumáticas da coluna cervical alta apresentam características próprias e são distintas das localizadas entre C3 e C7, sendo por isso estudadas separadamente. A morfologia e a função dos seus componentes (côndilos occipitais, atlas e áxis), denominados de complexo occipito-atlanto-axial, são diferentes das demais vértebras da coluna cervical, e influenciam na gênese dessas lesões.


III - O diagnóstico das lesões traumáticas da coluna cervical alta é muito difícil apenas com as informações fornecidas pelas radiografias simples. A tomografia computadorizada possibilitou a realização de diagnóstico em maior escala e também a identificação de lesões que não eram conhecidas. Em grande porcentagem dos pacientes o diagnóstico dessas lesões não é inicialmente realizado, pela dificuldade de sua observação nas radiografias simples e também pela falta de suspeição do diagnóstico pelo examinador.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: As três afirmativas estão de acordo com o conhecimento traumatológico consolidado sobre o complexo occipito-atlanto-axial: trata-se de segmento anatômica e biomecanicamente distinto de C3-C7, as lesões neurológicas em C1-C2 podem ser menos frequentes em alguns padrões, mas são potencialmente fatais quando ocorrem, e a tomografia supera a radiografia simples na detecção dessas lesões. Por isso, I, II e III estão corretas e a alternativa E é a resposta.

Tema central: Trauma cervical alto
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque exclui II e III sem base médica. A II é verdadeira pelo fato de C0-C1-C2 constituírem unidade anatômica e biomecânica distinta de C3-C7, com padrões traumáticos próprios. A III também é verdadeira porque radiografias simples podem falhar na detecção dessas lesões, enquanto a tomografia tem desempenho superior para demonstrar fraturas e desalinhamentos do segmento cervical alto.
B
Errada
Errada porque exclui a III, e isso contraria o critério de imagem do trauma cervical alto. O diagnóstico apenas com radiografia simples é difícil, e a tomografia ampliou a detecção dessas lesões, inclusive das antes subdiagnosticadas. Portanto, a III não pode ser descartada.
C
Errada
Errada porque exclui a II, que está sustentada pela anatomia e biomecânica próprias do complexo occipito-atlanto-axial. Não se deve aplicar ao segmento C0-C1-C2 o mesmo raciocínio morfológico da coluna cervical subaxial, pois essa diferença é justamente o fundamento para estudá-lo separadamente.
D
Errada
Errada porque exclui a I. A afirmativa I é compatível com a fisiopatologia do trauma medular cervical alto: pode haver menor frequência relativa de déficit neurológico em alguns padrões de lesão de C1-C2 pela relação canal/medula, mas, quando o déficit ocorre nesse nível, o prognóstico pode ser gravíssimo ou fatal pela repercussão respiratória e pelo acometimento de vias cervicais altas.
E
Certa
A alternativa E está correta porque as três afirmativas correspondem ao conhecimento traumatológico consolidado sobre a coluna cervical alta. A I é compatível com a noção de que, nesse segmento, o canal vertebral relativamente mais amplo pode explicar menor frequência de déficit neurológico em alguns traumas, sem retirar a extrema gravidade das lesões neurológicas quando ocorrem, pelo comprometimento cervical alto e repercussão respiratória. A II está correta porque o complexo occipito-atlanto-axial tem morfologia, mobilidade e função próprias, diferentes da coluna cervical subaxial, o que justifica estudo separado e padrões lesionais específicos. A III também está correta porque radiografias simples têm sensibilidade limitada para essas lesões, e a tomografia aumentou substancialmente sua identificação, inclusive em casos inicialmente não reconhecidos.
Pegadinha da questão
A banca explora o aparente paradoxo da afirmativa I: menor frequência relativa de lesão neurológica em alguns traumas de C1-C2 não significa baixa gravidade; quando há acometimento neurológico cervical alto, o risco pode ser fatal.
Dica para questões semelhantes
  • Separe mentalmente coluna cervical alta de C3-C7: o complexo occipito-atlanto-axial tem anatomia e biomecânica próprias.
  • Não confunda menor frequência relativa de déficit neurológico em alguns padrões de C1-C2 com benignidade clínica.
  • Em trauma cervical alto, radiografia simples negativa não tem o mesmo peso excludente que a tomografia.
  • Se a alternativa juntar peculiaridade anatômica, risco respiratório/neurológico alto e limitação da radiografia, ela tende a estar alinhada com o raciocínio correto.

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