Paciente internado em UTI com diagnóstico de pancreatite agu...

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Q4039343 Medicina
Paciente internado em UTI com diagnóstico de pancreatite aguda evolui, nas primeiras 24 horas, com insuficiência respiratória e disfunção renal. As duas disfunções orgânicas apresentam resolução completa com suporte clínico em período inferior a 48 horas, sem recorrência ou complicações locais associadas. Considerando os critérios atuais de classificação da gravidade, esse quadro clínico é melhor classificado como pancreatite aguda:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pela Revised Atlanta Classification (2012), a gravidade da pancreatite aguda é definida pela presença e duração da falência orgânica: leve se não houver falência orgânica, moderadamente grave se ela for transitória (< 48 horas) e grave se for persistente (> 48 horas). Como o caso descreve insuficiência respiratória e disfunção renal com resolução completa em menos de 48 horas e sem complicações locais, a classificação correta é pancreatite aguda moderadamente grave.

Tema central: Gravidade na pancreatite
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque internação em UTI não é critério formal de gravidade na classificação da pancreatite aguda. O critério médico decisivo é a persistência da falência orgânica por mais de 48 horas. Como as disfunções respiratória e renal foram transitórias, a necessidade de suporte intensivo não transforma o quadro em pancreatite grave.
B
Errada
Está errada porque a mera ocorrência de disfunção orgânica durante a internação não define pancreatite grave. Pela classificação aplicável, grave exige falência orgânica persistente por mais de 48 horas. No caso, a disfunção orgânica existiu, mas resolveu completamente em menos de 48 horas, o que a enquadra como transitória.
C
Errada
Está errada porque pancreatite aguda leve exige ausência de falência orgânica e ausência de complicações locais ou sistêmicas. O enunciado documenta insuficiência respiratória e disfunção renal, ainda que reversíveis. Portanto, a resolução completa posterior não permite classificar como leve, já que o critério de leveza foi rompido pela presença de falência orgânica.
D
Certa
A alternativa D coincide exatamente com o critério classificatório decisivo: houve falência orgânica em dois sistemas, mas com resolução em período inferior a 48 horas. Na classificação revisada de Atlanta, isso define pancreatite aguda moderadamente grave. A ausência de complicações locais não muda essa conclusão, porque o próprio fato de ter existido falência orgânica transitória já exclui a forma leve e, ao mesmo tempo, a resolução antes de 48 horas afasta a forma grave.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gravidade clínica aparente e critério classificatório formal: UTI, acometimento de mais de um órgão e presença de disfunção orgânica sugerem “grave”, mas o dado que decide a classificação é a duração da falência orgânica, com corte em 48 horas.
Dica para questões semelhantes
  • Na pancreatite aguda, primeiro procure se houve falência orgânica; isso já afasta a forma leve.
  • Se houve falência orgânica, use o marco temporal de 48 horas: transitória (< 48 h) indica moderadamente grave; persistente (> 48 h) indica grave.
  • Não use internação em UTI como substituto do critério classificatório formal.
  • Boa evolução clínica final não redefine como leve um quadro que teve falência orgânica transitória.

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