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Q3511342 Medicina
Um paciente de 68 anos com história de doença arterial periférica apresenta claudicação intermitente, apesar de estar em tratamento medicamentoso pleno. Devido a um alto risco operatório, o angiologista avalia a necessidade de melhorar a circulação sanguínea nas pernas para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente sem recorrer a cirurgia.
A intervenção mais apropriada para integrar o plano de tratamento desse paciente é:
Alternativas

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Tema central: Claudicação intermitente na Doença Arterial Periférica (DAP) e a melhor estratégia não cirúrgica para alívio sintomático quando o risco operatório é alto.

Alternativa correta: A – Programa de marcha supervisionada

É a intervenção de primeira linha para claudicação que persiste apesar do tratamento clínico. Diretrizes AHA/ACC e ESVS recomendam exercício supervisionado como Classe I, Nível A, antes de revascularização, por aumentar a distância de caminhada, reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida. Mecanismos: melhora da função endotelial, eficiência muscular, recrutamento de colaterais e condicionamento aeróbico.

Protocolo prático: 3x/semana, 30–45 min (até 60), por ≥12 semanas; caminhar até dor moderada-intensa, descansar e retomar (treino intervalado). Evidências mostram ganhos superiores a terapias farmacológicas isoladas e, em alguns cenários, comparáveis a stents para capacidade funcional (ex.: estudo CLEVER).

Como interpretar a questão: Palavras-chave como “claudicação”, “alto risco cirúrgico”, “melhorar sem cirurgia” apontam para exercício supervisionado, não para vasodilatadores genéricos ou repouso.

Análise das alternativas incorretas

B – Vasodilatadores de longa ação: Nitratos/CCB não melhoram a caminhada na DAP, pois a limitação é por estenose fixa. O fármaco com benefício sintomático é o cilostazol (seme contraindicação em insuficiência cardíaca); pentoxifilina não é recomendada. Diretrizes não sustentam “vasodilatadores de longa ação” como estratégia eficaz isolada.

C – Compressão mecânica contínua: Indicada para doença venosa. Em DAP isolada pode piorar a isquemia. Só considerar em doença venosa mista com avaliação do índice tornozelo-braquial apropriado (geralmente ABI ≥0,8) e pressões reduzidas. Não alivia claudicação por obstrução arterial.

D – Dieta rica em antioxidantes e pobre em gorduras: Importante para modificar risco (aterosclerose), mas não oferece alívio sintomático rápido da claudicação. Deve integrar o manejo global (com estatina, antitrombótico, cessar tabagismo), mas não substitui o exercício supervisionado.

E – Repouso e evitar esforços: Leva a descondicionamento e piora da claudicação. A conduta é justamente o oposto: incentivar marcha supervisionada, com segurança e progressão.

Conduta integrada recomendada: controle agressivo de fatores de risco (estatina, antiagregante, PA/DM, cessar tabagismo), marcha supervisionada e considerar cilostazol se elegível; revascularização apenas se refratário e com risco aceitável.

Referências essenciais: AHA/ACC Guideline for Lower Extremity PAD (2016; updates), ESVS/ESC PAD Guidelines (2017–2021), UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A

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