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Q3126394 Medicina
    Um paciente de 60 anos de idade foi avaliado devido a sinais de insuficiência cardíaca. Durante a inspeção e a palpação do exame físico, observou‑se um impulso apical deslocado para a lateral, além de uma palpação visível na região precordial. A auscultação cardíaca revelou um sopro diastólico, com características de fluxo retrógrado, na área de foco aórtico.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o achado clínico adequado para o caso desse paciente. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: valvulopatias com foco em insuficiência aórtica (IAo). A pista-chave é o sopro diastólico de fluxo retrógrado no foco aórtico, associado a impulso apical lateralizado, sinal de dilatação/hipertrofia excêntrica do VE por sobrecarga de volume.

Alternativa correta: D — A IAo causa regurgitação diastólica do sangue da aorta para o VE, gerando sobrecarga de volume crônica. O VE adapta-se com dilatação (impulso apical deslocado) e hipertrofia excêntrica; com o tempo surgem sinais de IC. O sopro típico é diastólico, em decrescendo, “soprador”, melhor audível no foco aórtico ou borda esternal esquerda. Evidências: diretrizes ESC 2021 e ACC/AHA 2020 para valvopatias; Harrison’s; UpToDate.

Raciocínio clínico: “Diastólico” + “aórtico” → pensa em IAo. “Impulso apical lateralizado” → cronicidade e dilatação do VE. “Palpação visível precordial” → VE hiperdinâmico. O conjunto fecha o diagnóstico clínico de IAo com repercussão hemodinâmica.

Por que as outras estão erradas?

A — Insuficiência mitral (IM) aguda cursa com sopro sistólico holossistólico no ápice, irradiado para axila; não é diastólico. Além disso, na IM aguda o coração pode não estar dilatado inicialmente, logo impulso apical lateralizado não é típico. Diretrizes ESC/ACC reforçam a natureza sistólica da IM.

B — Estenose aórtica produz sopro sistólico ejetivo em foco aórtico, com irradiação para carótidas e sinais como pulsus parvus et tardus. Sopro diastólico não é achado clássico de estenose isolada.

C — Insuficiência tricúspide dá sopro sistólico na borda esternal inferior que aumenta com a inspiração (sinal de Carvallo), e sinais de sobrecarga de ventrículo direito (heave paraesternal), não impulso apical lateralizado, que indica VE.

E — Miocardiopatia dilatada pode lateralizar o ictus, mas os sopros associados são geralmente sistólicos funcionais (IM/TR) por dilatação anular. Sopro diastólico aórtico exige IAo, não explicado por MCD idiopática isolada.

Exames e conduta (resumo): O exame de escolha é a ecocardiografia com Doppler para confirmar IAo e quantificar gravidade (fração regurgitante, volume, dimensão do VE). ECG pode mostrar HVE; RX de tórax, cardiomegalia. Tratamento: controle de PA e vasodilatadores em hipertensão; cirurgia valvar (troca/repair) indicada em IAo grave sintomática ou com disfunção/dilatação do VE (diretrizes ESC 2021, ACC/AHA 2020).

Dica de prova: Todo sopro diastólico é patológico. Local + fase do ciclo direcionam o diagnóstico. “Diastólico no foco aórtico” → IAo; “Sistólico no ápice com irradiação para axila” → IM; “Sistólico no foco aórtico com irradiação para carótidas” → estenose aórtica.

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