Uma paciente de 30 anos, atleta de maratona, apresenta lesão...
Dentre as intervenções abaixo, a mais apropriada para tratar a lesão no tendão de calcâneo da paciente é:
Gabarito comentado
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Tema central: lesão do tendão de calcâneo (tendinopatia de Aquiles) em atleta. O alvo terapêutico é reduzir dor, restaurar a capacidade de carga do tendão e prevenir recidivas por meio de mecanoterapia progressiva (exercícios) e controle de carga. A tendinopatia cursa com desorganização de colágeno e neovascularização; o estímulo mecânico graduado é o principal indutor de remodelação.
Alternativa correta: A – Iniciar reabilitação com exercícios isométricos e alongamentos graduais, além de gelo após as sessões.
Justificativa clínica: Em fases iniciais/dolorosas, os isométricos ajudam no controle da dor e permitem reintrodução de carga; em seguida, progride-se para exercícios excêntricos (ex.: protocolo de Alfredson, ~12 semanas) e/ou heavy slow resistance (HSR). Alongamentos são úteis, com cautela maior na insercional. O gelo é adjuvante analgésico. Diretrizes e revisões (JOSPT CPG 2018/2020 para dor no tendão de Aquiles; UpToDate; BJSM) colocam a reabilitação baseada em carga como primeira linha. Essa abordagem também previne novas lesões ao aumentar a capacidade do tendão.
Como conduzir na prática (resumo): fase 1: dor alta → isométricos de panturrilha (ex.: 5x45s, 2–3x/dia), modulação da corrida (reduzir volume/impacto). Fase 2: progressão para excêntricos/HSR 3x/sem, educação de carga, correção biomecânica. Fase 3: apenas quando indolor, introduzir pliometria e retorno gradual a treinos específicos. Imagem (US/RM) apenas se dúvida diagnóstica ou caso refratário.
Análise das alternativas incorretas
B – Saltos e corrida em superfície dura aumentam a demanda excêntrica e o impacto no momento errado, piorando a dor e atrasando a recuperação. Pliometria deve entrar tarde e de forma gradual, após ganho de tolerância à carga (JOSPT CPG).
C – Sprint/alta intensidade “para acelerar cicatrização” contraria o princípio de progressão de carga. Em tendão doloroso, alta intensidade tende a agravar a lesão e não acelera o reparo.
D – Injeções de corticosteroide no Aquiles têm benefício limitado e risco de ruptura, especialmente se intratendíneas; não são primeira linha (UpToDate; BJSM; AOSSM). Podem até piorar a integridade tendínea.
E – Ondas de choque (ESWT) têm evidência moderada em casos crônicos/refratários, sobretudo insercionais, preferencialmente associadas a exercícios. Contudo, não é intervenção inicial (JOSPT; diretrizes europeias/ESSKA).
Dica de prova: quando o enunciado fala em “acelerar recuperação e prevenir futuras lesões” em tendão, procure a opção que ajusta carga e fortalece progressivamente, e desconfie de “soluções rápidas” (corticoide) ou de impacto elevado na fase dolorosa.
Referências úteis: JOSPT Clinical Practice Guidelines (2018/2020) – Achilles pain, stiffness, and muscle power deficits; UpToDate – Achilles tendinopathy; BJSM – consensos sobre exercício excêntrico/HSR; ESSKA – statements em tendinopatia de Aquiles.
Gabarito: A
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