Um paciente de 67 anos com histórico de diabetes tipo 2 e h...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3511335 Medicina
Um paciente de 67 anos com histórico de diabetes tipo 2 e hipertensão vem apresentando episódios recorrentes de tontura e fraqueza. Após exames, o médico identifica uma possível neuropatia autonômica como complicação da diabetes.
Para investigar mais a fundo e confirmar o diagnóstico de neuropatia autonômica, o médico deve: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Neuropatia autonômica diabética (NAD), especialmente a disfunção cardiovascular, que se manifesta com tontura e fraqueza por hipotensão ortostática (queda de PA ao ficar em pé), secundária à falha dos reflexos autonômicos.

Alternativa correta: ATeste de inclinação (tilt table). É o exame que avalia a resposta de freqüência cardíaca e pressão arterial à mudança postural, reproduzindo sintomas e quantificando a queda pressórica. Critério clássico de hipotensão ortostática: queda ≥20 mmHg na sistólica ou ≥10 mmHg na diastólica em até 3 minutos de ortostatismo. Em NAD, há redução/ausência dos reflexos barorreceptores, levando a queda de PA com pouca taquicardia compensatória.

Por que é o melhor para confirmar? Porque investiga diretamente a função autonômica cardiovascular frente ao estresse postural — o domínio mais comprometido na NAD sintomática. Faz parte do conjunto de testes autonômicos recomendado (variabilidade da FC com respiração profunda, Valsalva e razão 30:15 ao ortostatismo). Diretrizes ADA Standards of Care 2024/2025, UpToDate e Harrison reforçam esse painel para diagnóstico de NAD.

Como ler a questão: idoso com DM2, tontura/fragilidade recorrentes e suspeita de comprometimento autonômico → busque exame que desafie o sistema autonômico e meça PA/FC ao mudar de posição.

Por que as demais estão incorretas?

B) Ressonância magnética cerebral: útil para lesões centrais (AVC, tumores, demências), mas não confirma NAD. A neuropatia autonômica diabética é periférica e funcional; RM tem baixo rendimento sem sinais neurológicos focais. Deve ser reservada para red flags neurológicas.

C) Teste ergométrico: avalia isquemia miocárdica/cronotropismo. Pode ser indicado em DM por risco cardiovascular, mas não é teste de função autonômica e não confirma NAD.

D) Eletroneuromiografia (ENMG): investiga nervos motores/sensitivos de fibras mielinizadas grandes. A NAD envolve fibras pequenas autonômicas (não avaliadas na ENMG de rotina), podendo estar normal mesmo com NAD. Serve para polineuropatia somática, não para disfunção autonômica.

E) Fundo de olho: rastreia retinopatia diabética (muito relevante), porém não confirma neuropatia autonômica. É outro leito de complicação microvascular.

Pegadinha clássica: confundir ENMG com avaliação autonômica. Lembre: autonômico = testes reflexos cardiovasculares e sudomotores (ex.: tilt, variabilidade da FC, Valsalva, QSART).

Complemento prático: além do tilt, meça PA/FC no leito e em ortostatismo; se disponível, faça variabilidade da FC com respiração profunda, razão 30:15 e manobra de Valsalva. Esses compõem a “bateria de Ewing”, padrão em NAD.

Referências: ADA Standards of Care in Diabetes 2024/2025 (cap. complicações microvasculares/neuropatia); UpToDate – “Diabetic autonomic neuropathy”; Harrison’s Principles of Internal Medicine – Neuropatias diabéticas.

Gabarito: A

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo