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Q3126390 Medicina
    Um atleta de 26 anos de idade, sem histórico de doenças cardíacas, apresentou‑se para a avaliação médica com um eletrocardiograma (ECG) de repouso. O exame revelou bradicardia sinusoidal (frequência cardíaca de 40 bpm) e sinais de repolarização ventricular precoce, como a elevação do segmento ST nas derivações precordiais.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, considerando os achados do ECG de repouso em atletas.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: interpretação do ECG de atletas. Em indivíduos bem treinados, achados como bradicardia sinusal (devido a alto tônus vagal) e repolarização ventricular precoce (RVP) com elevação do ST podem ser fisiológicos, não devendo ser confundidos com doença.

Alternativa correta: D — A bradicardia (até 30–40 bpm em repouso) e a RVP com elevação do ST concava, entalhe/“slur” no ponto J e ondas T altas, especialmente em V2–V5, são padrões benignos em atletas assintomáticos. Em geral não requerem investigação nem contraindicam exercício quando não há sintomas, história familiar de morte súbita, nem sinais de cardiopatia estrutural. Evidências: International Criteria for ECG Interpretation in Athletes (2017), Diretrizes ESC de Cardiologia do Esporte (2020), AHA/ACC, UpToDate, Harrison’s.

Estratégia para a prova:

  • Bradicardia sinusal fisiológica: melhora com exercício, sem sintomas (tontura/síncope), sem pausas prolongadas importantes; reflete tonus vagal e aumento do volume sistólico.
  • RVP benigna: ST côncavo, entalhe no J, predominância anterolateral, reduz com taquicardia/exercício.
  • Red flags: sintomas, história familiar de morte súbita, RVP em inferolaterais com ST horizontal/descendente, J ≥0,2 mV, alterações associadas (QT, ondas T invertidas extensas), ou ecocardiograma anormal.

Análise das alternativas incorretas

A — “Indica distúrbio do nó sinusal.” Incorreto. Em atletas, bradicardia sinusal é usualmente adaptativa. Investigar se houver sintomas, incapacidade cronotrópica ao exercício, pausas prolongadas sintomáticas ou achados concomitantes. (ESC 2020; UpToDate)

B — “Elevação de ST é sempre isquemia.” Errado. Em jovens/atletas, RVP e padrão de “early repolarization” são frequentes e não equivalem a IAM. Isquemia cursa com ST em “tombstone”, territorial, com alterações recíprocas e quadro clínico compatível. (Harrison’s; AHA)

C — “Contraindica atividades intensas.” Falso. Sem sintomas ou sinais de risco, bradicardia e RVP não contraindicam esporte. A participação é liberada conforme critérios das diretrizes. (ESC 2020; AHA/ACC)

E — “RVP é sempre alto risco e exige investigação imediata.” Errado. A maioria é benigna. Avaliação adicional se houver padrão maligno (inferolateral, ST horizontal/descendente, J alto), síncope inexplicada ou história familiar de morte súbita. (International Criteria 2017; ESC 2020)

Quando investigar (se red flags): ecocardiograma, teste ergométrico (reserva cronotrópica/normalização de achados), Holter, e avaliação familiar/genes conforme caso.

Pegadinha clássica: confundir RVP de atleta com IAM/pericardite. Observe o formato côncavo do ST, entalhe no J, distribuição ampla e resposta ao exercício.

Gabarito: D

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