A síndrome coronária crônica (SCC) refere‑se a um conjunto ...
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Tema central: Síndrome coronariana crônica (SCC) é a isquemia miocárdica estável, geralmente por placas ateroscleróticas com estenose fixa e/ou disfunção endotelial. O objetivo do manejo é reduzir sintomas (angina), prevenir eventos (infarto/morte) e melhorar qualidade de vida.
Alternativa correta: B – Reabilitação cardíaca
A reabilitação cardíaca é parte integrante da terapia na SCC. Inclui exercício supervisionado, educação, controle de fatores de risco, suporte psicossocial e adesão medicamentosa. Evidências mostram melhora da capacidade funcional, redução de angina, internações e mortalidade cardiovascular (recomendação Classe I pelas diretrizes ESC 2019/atualizações e ACC/AHA 2023 de Doença Coronariana Crônica; UpToDate; Harrison’s).
Conduta-base na SCC (resumo para provas):
- Medidas de prognóstico: AAS (ou clopidogrel se intolerância), estatina de alta intensidade, IECA/ARB quando indicado (HAS, DM, DRC, disfunção VE), cessar tabagismo, dieta/atividade física, reabilitação cardíaca.
- Controle de sintomas (antianginosos): betabloqueador (1ª linha), bloqueador de canal de cálcio, nitratos, ranolazina/ivabradina conforme perfil.
- Revascularização: para angina refratária apesar do tratamento ótimo ou por indicação prognóstica (p. ex., tronco de coronária esquerda).
Análise das incorretas
A) “Angioplastia como primeira linha em todos” – Falso. O tratamento médico otimizado é a base. Ensaios COURAGE e ISCHEMIA mostraram que PCI não reduz mortalidade/IM em SCC estável de forma universal, embora melhore sintomas; revascularizar quando refratário ou com critérios prognósticos (ESC 2019/ACC 2023).
C) “Anticoagulantes para todos” – Falso. O pilar é antiagregação plaquetária. Anticoagulação é reservada a indicações específicas (FA, trombo ventricular, TEP/TVP). Em alto risco e baixo risco hemorrágico, pode-se considerar rivaroxabana 2,5 mg 2x/dia + AAS (COMPASS), mas não é rotina para todos.
D) “Evitar cirurgia de revascularização (CRM) em qualquer paciente” – Falso. A CRM tem indicações prognósticas: tronco de coronária esquerda, triarterial (especialmente diabéticos), ou disfunção ventricular. Estudos FREEDOM e STICH corroboram benefício em subgrupos. Não deve ser evitada indiscriminadamente.
E) “Betabloqueadores contraindicados em todos os casos” – Falso. São 1ª linha para controle de angina e recomendados especialmente pós-IAM e em disfunção ventricular. Contraindicações reais: bradicardia significativa, BAV avançado, asma grave descompensada, choque cardiogênico (ACC/AHA 2023; UpToDate).
Dica de prova (pegadinhas): desconfie de termos absolutos como “todos”, “qualquer” ou “deve ser evitada”. Na SCC, a abordagem é individualizada e stepwise.
Referências rápidas: ESC Chronic Coronary Syndromes 2019 (e atualizações), ACC/AHA 2023 Chronic Coronary Disease Guideline, UpToDate (Chronic coronary disease), Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B
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