No tratamento da obstrução recorrente das vias aéreas (ORVA)...

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Q3331623 Veterinária
No tratamento da obstrução recorrente das vias aéreas (ORVA), além de um bom controle ambiental, medicamentos de diversas classes podem ser utilizados. Assinale a opção que contém apenas medicamentos recomendados para o tratamento desta enfermidade. 
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Tema central: ORVA (obstrução recorrente das vias aéreas) é a “asma equina”/RAO, caracterizada por hipersensibilidade a poeira e fungos do feno, com broncoespasmo, hipersecreção de muco e inflamação neutrofílica. O pilar do manejo é o controle ambiental (feno umedecido/steam, cama de baixa poeira, maior tempo a pasto) e, quando necessário, terapia farmacológica.

Alternativa correta: D – Clembuterol e dexametasona.

- Clembuterol: agonista β2-adrenérgico; relaxa musculatura lisa brônquica via ↑AMPc → broncodilatação e melhora do fluxo aéreo (dose usual 0,8–3,2 µg/kg VO).
- Dexametasona: corticoide sistêmico potente; reduz a inflamação das vias aéreas (neutrofílica), diminui o muco e a hiperresponsividade (≈0,05–0,1 mg/kg).
- A associação é consagrada para crises e controle de casos moderados a graves, especialmente quando o ambiente ainda não está ideal. Consenso ACVIM sobre asma equina (Couëtil et al.) e Equine Internal Medicine (Reed, Bayly & Sellon).

Por que as demais estão incorretas?

A) Acepromazina e naloxona: Acepromazina é sedativo vasodilatador, não broncodilata nem trata inflamação; naloxona é antagonista opioide, sem papel na ORVA.

B) Furosemida e xilazina: Furosemida é diurético (útil em edema pulmonar/EIPH, não em ORVA). Xilazina (α2-agonista) é sedativo que pode deprimir a ventilação, não trata broncoespasmo/inflamação.

C) Penicilina e pentoxifilina: Penicilina só tem indicação em infecção bacteriana, rara na ORVA não complicada. Pentoxifilina (hemorreológica) não é terapia padrão para asma equina; evidência limitada.

E) Flunixin meglumine e penicilina: Flunixin (AINE) pouco atua na fisiopatologia da ORVA (predominantemente não COX-mediada). Penicilina novamente sem indicação rotineira.

Estratégia clínica e diagnóstica

- Suspeite de ORVA em cavalos com tosse crônica, dispneia expiratória, “linha de esforço abdominal”, secreção nasal e piora em ambientes empoeirados.
- Confirmação: endoscopia (muco traqueal), BAL com neutrofilia (>25%), melhora com broncodilatador/corticoide. Referências: ACVIM Consensus; AAEP; Robinson’s Current Therapy in Equine Medicine.

Conduta recomendada (resumo)

- Controle ambiental é indispensável.
- Corticosteroides: dexametasona sistêmica ou fluticasona inalatória.
- Broncodilatadores: clembuterol VO; β2 de ação curta ou ipatrópio inalatório para crises.
- Nebulização e higiene de vias aéreas podem auxiliar.

Pegadinha de prova: sedativos, antibióticos e AINEs aparecem com frequência, mas não corrigem broncoconstrição nem a inflamação alérgica típica da ORVA; foque em β2-agonistas e corticoides associados ao ambiente.

Gabarito: D

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