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Q2637473 Medicina

A presença de quadros de delirium em pacientes com doenças terminais é bastante comum e de origem multifatorial. Em relação ao manejo clínico do delirium em cuidados paliativos, assinale a alternativa incorreta.

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Tema central: O foco da questão é o manejo clínico do delirium em pacientes em cuidados paliativos, condição frequente em doenças terminais e de origem multifatorial.

O delirium se caracteriza pela alteração aguda do estado mental, com flutuação da atenção, consciência e cognição. É essencial reconhecer que pode ser causado ou agravado por diversos fatores: infeções, desidratação, distúrbios metabólicos, uso de medicamentos (inclusive opioides), ou privação de sono.

Justificativa da alternativa incorreta (D):

A orientação de suspender opioides na presença de delirium hipoativo está equivocada. Opioides são fundamentais para o controle da dor em cuidados paliativos e sua suspensão abrupta pode desencadear abstinência, sofrimento, agitação e piora clínica. Segundo o Manual de Cuidados Paliativos – 2ª Edição (Seção 16): "A suspensão de opioides deve ser criteriosa e nunca automática diante de delirium, devendo-se ponderar o risco-benefício". Na prática, costuma-se ajustar a dose e buscar outras causas reversíveis antes de descontinuar o opioide.

Análise das demais alternativas:

A) Correta. Avaliar o estágio da doença evita tratamentos invasivos e fúteis, princípio fundamental dos cuidados paliativos.

B) Correta. Sempre devemos investigar fatores potencialmente reversíveis do delirium (infecção, constipação, retenção urinária, hipoxemia, etc.) para instituir terapêutica adequada.

C) Parcialmente correta, requer atenção. Os neurolépticos (antipsicóticos) são de fato os fármacos de escolha para controle sintomático do delirium. Contudo, benzodiazepínicos não são recomendados, exceto em casos específicos (abstinência de álcool/benzodiazepínicos ou sedação paliativa refratária) – conforme o Manual de Cuidados Paliativos:

"Não se costuma indicar uso de benzodiazepínicos no manejo de delirium exceto no contexto de abstinência [...] ou de sedação paliativa."

E) Correta. Estratégias não farmacológicas (reorientação frequente, ambiente familiar, controle da luminosidade e ruído) são essenciais e muitas vezes prioritárias no manejo.

Pegadinhas da questão: Atenção à diferença entre ajustar e suspender opioides e ao uso de benzodiazepínicos: sua indicação é exceção, não regra.

Dica de prova: Quando a alternativa pedir conduta, pense sempre em individualização, avaliação do risco-benefício e respaldo em diretrizes atualizadas. O foco do cuidado paliativo é conforto, não abandono terapêutico!

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A ALTERNATIVA CORRETA É: D. Devemos suspender o uso de opioides na presença de delirium hipoativo já que esta pode ser a causa da sonolência.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

  • Alternativa A: Verdadeira. Em cuidados paliativos, é crucial avaliar o estágio da doença para evitar tratamentos fúteis e focar em intervenções que melhorem a qualidade de vida do paciente.
  • Alternativa B: Verdadeira. Buscar causas reversíveis do delirium, como desequilíbrios metabólicos ou medicamentos, é uma prática importante para tratar adequadamente o quadro.
  • Alternativa C: Verdadeira. Neurolépticos, como haloperidol, e benzodiazepínicos, especialmente em casos de agitação severa, são usados no manejo sintomático do delirium. No entanto, o uso de benzodiazepínicos deve ser cauteloso, pois pode agravar o delirium em alguns casos.
  • Alternativa D: Falsa. A suspensão dos opioides em pacientes com delirium hipoativo não é uma prática recomendada automaticamente, já que a sonolência pode ter outras causas. A avaliação cuidadosa do manejo da dor é fundamental, e a retirada de opioides pode agravar o sofrimento do paciente.
  • Alternativa E: Verdadeira. Medidas não farmacológicas, como manter o ambiente tranquilo e otimizar a comunicação, são essenciais no manejo do delirium e podem prevenir a necessidade de intervenções farmacológicas.

EM RESUMO:

A alternativa D é incorreta, pois a suspensão imediata dos opioides sem uma avaliação cuidadosa pode comprometer o controle da dor e o conforto do paciente. Nas demais alternativas, a identificação de causas reversíveis, o uso de neurolépticos e benzodiazepínicos (com cautela) e o emprego de medidas não farmacológicas são abordagens corretas no manejo do delirium em cuidados paliativos.

PONTOS CHAVE:

  • O manejo do delirium em cuidados paliativos inclui a avaliação de causas reversíveis.
  • Neurolépticos são comumente usados no tratamento do delirium.
  • A retirada de opioides deve ser cuidadosamente avaliada para não prejudicar o controle da dor.

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