Pode-se afirmar que a autora imprime um tom informal em seu ...
EXCERTO 2- QUESTÕES 7 a 10
- Talvez parte do que consideramos ativismo seja um novo tipo de passividade. Há
- tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta
- contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio.
- Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de
- ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao
- contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos
- de exclamação. Os espasmos tornaram-se a rotina e, ao se viver aos espasmos, um
- espasmo anula o outro espasmo que anula o outro espasmo. Quando tudo é grito não há
- mais grito. Quando tudo é urgência nada é urgência. Ao final do dia que não acaba resta a
- ilusão de ter lutado todas as lutas, intervindo em todos os processos, protestado contra todas
- as injustiças. Os espasmos esgotam, exaurem, consomem. Mas não movem. Apaziguam,
- mas não movem. Entorpecem, mas será que movem?
- Sobre esse tema há um pequeno livro, precioso, chamado sugestivamente de
- Sociedade do Cansaço. (...) Sobre nossa nova condição, Han diz: “A sociedade do trabalho e
- a sociedade do desempenho não são sociedades livres. Elas geram novas coerções. A
- dialética do senhor e escravo está, não em última instância, naquela sociedade na qual cada
- um é livre e capaz também de ter tempo livre para o lazer. Leva, ao contrário, a uma
- sociedade do trabalho, na qual o próprio senhor se transformou num escravo do trabalho.
- Nessa sociedade coercitiva, cada um carrega consigo seu campo de trabalho. A
- especificidade desse campo de trabalho é que somos ao mesmo tempo prisioneiro e vigia,
- vítima e agressor. Assim, acabamos explorando a nós mesmos. Com isso, a exploração
- é possível mesmo sem senhorio”.
Gabarito comentado
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TEMA CENTRAL: Colocação Pronominal e variação do grau de formalidade no texto.
A questão avalia se o candidato identifica elementos que conferem tom informal ao texto. O ponto-chave está na análise do uso do pronome oblíquo átono em início de frase, tema vinculado à colocação pronominal.
EXPLICAÇÃO DA RESPOSTA CORRETA (Alternativa D):
Pela norma-padrão da língua portuguesa, é inadequado iniciar uma oração com pronome oblíquo átono (casos como “me”, “se”, “nos”, “lhe”, etc.). A recomendação gramatical, como ensina Evanildo Bechara, é posicionar o pronome após o verbo (ênclise) em início de frase. Por exemplo, o correto seria: “Movem-se...” e não “Se movem...” no início de uma oração. Quando o autor inicia uma frase assim, ele transgride a regra da colocação pronominal, incorporando um tom informal ao texto.
Essa estratégia pode ser usada para aproximar-se do leitor e gerar naturalidade, mas deve-se ter clareza de que, em contextos formais, como os da redação oficial ou textos técnicos, tal posição do pronome é inadequada. Rocha Lima e Celso Cunha & Lindley Cintra também reforçam: “não se usa próclise em início de frase, a menos que haja palavra atrativa”.
Análise das alternativas incorretas:
A) “Empregar clichês e estrangeirismos em voga”: Tais escolhas podem indicar informalidade, mas não há evidências marcantes desse recurso no trecho. Além disso, a questão pedia referência clara à colocação pronominal.
B) “Criar palavras novas...”: A criação de neologismos seria indicativo de estilo inovador, não necessariamente informalidade. Não é o caso do texto em análise.
C) “Desobedecer à regência”: Regência diz respeito à relação entre verbos, nomes e seus complementos. O erro apresentado não é de regência, e sim de colocação pronominal.
Estratégia para provas: Ao ler questões sobre “formalidade” e “norma culta”, procure desvios da gramática padrão (especialmente vícios recorrentes, como colocação pronominal, concordância e regência), e aproxime-se dos conceitos exigidos nas gramáticas consagradas.
Resumo: A alternativa correta é a “D”, pois identifica transgressão à regra de colocação pronominal como indicativo de informalidade no texto.
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