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Q2717261 Português

EXCERTO 2- QUESTÕES 7 a 10


  1. Talvez parte do que consideramos ativismo seja um novo tipo de passividade. Há
  2. tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta
  3. contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio.
  4. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de
  5. ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao
  6. contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos
  7. de exclamação. Os espasmos tornaram-se a rotina e, ao se viver aos espasmos, um
  8. espasmo anula o outro espasmo que anula o outro espasmo. Quando tudo é grito não há
  9. mais grito. Quando tudo é urgência nada é urgência. Ao final do dia que não acaba resta a
  10. ilusão de ter lutado todas as lutas, intervindo em todos os processos, protestado contra todas
  11. as injustiças. Os espasmos esgotam, exaurem, consomem. Mas não movem. Apaziguam,
  12. mas não movem. Entorpecem, mas será que movem?
  13. Sobre esse tema há um pequeno livro, precioso, chamado sugestivamente de
  14. Sociedade do Cansaço. (...) Sobre nossa nova condição, Han diz: “A sociedade do trabalho e
  15. a sociedade do desempenho não são sociedades livres. Elas geram novas coerções. A
  16. dialética do senhor e escravo está, não em última instância, naquela sociedade na qual cada
  17. um é livre e capaz também de ter tempo livre para o lazer. Leva, ao contrário, a uma
  18. sociedade do trabalho, na qual o próprio senhor se transformou num escravo do trabalho.
  19. Nessa sociedade coercitiva, cada um carrega consigo seu campo de trabalho. A
  20. especificidade desse campo de trabalho é que somos ao mesmo tempo prisioneiro e vigia,
  21. vítima e agressor. Assim, acabamos explorando a nós mesmos. Com isso, a exploração
  22. é possível mesmo sem senhorio”.
Pode-se afirmar que a autora imprime um tom informal em seu texto por
Alternativas

Gabarito comentado

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TEMA CENTRAL: Colocação Pronominal e variação do grau de formalidade no texto.

A questão avalia se o candidato identifica elementos que conferem tom informal ao texto. O ponto-chave está na análise do uso do pronome oblíquo átono em início de frase, tema vinculado à colocação pronominal.

EXPLICAÇÃO DA RESPOSTA CORRETA (Alternativa D):

Pela norma-padrão da língua portuguesa, é inadequado iniciar uma oração com pronome oblíquo átono (casos como “me”, “se”, “nos”, “lhe”, etc.). A recomendação gramatical, como ensina Evanildo Bechara, é posicionar o pronome após o verbo (ênclise) em início de frase. Por exemplo, o correto seria: “Movem-se...” e não “Se movem...” no início de uma oração. Quando o autor inicia uma frase assim, ele transgride a regra da colocação pronominal, incorporando um tom informal ao texto.

Essa estratégia pode ser usada para aproximar-se do leitor e gerar naturalidade, mas deve-se ter clareza de que, em contextos formais, como os da redação oficial ou textos técnicos, tal posição do pronome é inadequada. Rocha Lima e Celso Cunha & Lindley Cintra também reforçam: “não se usa próclise em início de frase, a menos que haja palavra atrativa”.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Empregar clichês e estrangeirismos em voga”: Tais escolhas podem indicar informalidade, mas não há evidências marcantes desse recurso no trecho. Além disso, a questão pedia referência clara à colocação pronominal.

B) “Criar palavras novas...”: A criação de neologismos seria indicativo de estilo inovador, não necessariamente informalidade. Não é o caso do texto em análise.

C) “Desobedecer à regência”: Regência diz respeito à relação entre verbos, nomes e seus complementos. O erro apresentado não é de regência, e sim de colocação pronominal.

Estratégia para provas: Ao ler questões sobre “formalidade” e “norma culta”, procure desvios da gramática padrão (especialmente vícios recorrentes, como colocação pronominal, concordância e regência), e aproxime-se dos conceitos exigidos nas gramáticas consagradas.

Resumo: A alternativa correta é a “D”, pois identifica transgressão à regra de colocação pronominal como indicativo de informalidade no texto.

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