Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini − e
os fiz contar mentiras sobre mim
Talvez você já tenha ouvido que chatbots de inteligência
artificial, como ChatGPT e Gemini, às vezes inventam
informações. Isso é preocupante. Mas existe um
problema menos conhecido e potencialmente mais
grave: a facilidade com que essas ferramentas são
levadas a repetir conteúdos falsos, com efeitos sobre a
busca por informação confiável e até sobre a segurança
das pessoas.
Um número crescente de usuários descobriu um método
simples para fazer sistemas de IA dizerem quase
qualquer coisa. Essa estratégia interfere no que algumas
das principais inteligências artificiais do mundo dizem
sobre temas delicados, como saúde, finanças pessoais e
reputação. Informações enviesadas influenciam decisões
importantes, como escolhas de consumo,
posicionamentos políticos e questões médicas.
Para demonstrar esse risco, um repórter realizou um
experimento incomum: conseguiu fazer o ChatGPT, o
Gemini e recursos de busca com IA do Google afirmarem
que ele seria extraordinariamente habilidoso em comer
cachorros-quentes. A experiência mostrou que alterar o
que essas ferramentas dizem a outras pessoas é tão
simples quanto publicar um único texto aparentemente
informativo na internet.
O método explora fragilidades dos sistemas usados
pelos chatbots. Especialistas alertam que as empresas
de IA avançam mais rápido do que sua capacidade de
controlar a precisão das respostas, o que amplia os
riscos. As empresas afirmam utilizar mecanismos para
reduzir manipulações e manter resultados confiáveis,
mas o problema ainda está longe de ser totalmente
resolvido. Entre as possíveis consequências estão
golpes, destruição de reputações e até situações que
provoquem danos às pessoas.
Quando alguém conversa com um chatbot, parte da
resposta vem do material usado no treinamento do
modelo. Em outros casos, porém, a ferramenta consulta
a internet para complementar a informação. É nesse
momento que ela se torna mais vulnerável a conteúdos
manipulados.
Foi justamente essa brecha que permitiu o experimento.
O repórter escreveu, em seu próprio site, um artigo
afirmando que havia um ranking dos melhores jornalistas
de tecnologia em competições de cachorro-quente. Ele
inventou um campeonato inexistente e colocou a si
mesmo em primeiro lugar. Em menos de um dia, os
principais chatbots já reproduziam a história absurda
como se fosse verdadeira.
Ao perguntar quem seriam os melhores jornalistas de
tecnologia em comer cachorros-quentes, as ferramentas
passaram a repetir o conteúdo publicado. Em alguns casos, os sistemas sugeriam que aquilo poderia ser uma
piada. Então, o autor alterou o texto para afirmar que não
se tratava de sátira, e por algum tempo as IAs passaram
a tratar o conteúdo com mais seriedade.
O problema, porém, não se limita a experiências
curiosas. Pessoas usam esse mesmo mecanismo para
influenciar respostas de IA sobre temas muito mais
sensíveis. Muitas vezes, os sistemas indicam caminhos
(links) para a fonte, mas raramente deixam claro que a
informação pode vir de um único texto ou de uma fonte
interessada no assunto.
Especialistas afirmam que qualquer pessoa pode
produzir esse efeito com relativa facilidade, bastando
publicar um conteúdo aparentemente confiável. Há
décadas, mecanismos de busca enfrentam tentativas de
manipulação, mas vários analistas consideram que a
nova fase da IA reabriu espaço para práticas que
lembram os primeiros tempos do spam na internet.
A situação se agrava porque os usuários tendem a
confiar mais na resposta sintetizada pela IA do que nos
resultados tradicionais de busca. Antes, era preciso
acessar um site e avaliar seu conteúdo. Agora, a
informação aparece diretamente na resposta da
ferramenta, com tom de autoridade. Mesmo quando há
indicação de fonte, as pessoas se mostram menos
propensas a verificar o material original.
Chatbots funcionam relativamente bem em temas de
conhecimento consolidado. O risco aumenta quando o
assunto envolve controvérsia, atualização constante ou
consequências práticas importantes. Por isso, essas
ferramentas não devem ser tratadas como fonte
suficiente para orientações médicas, jurídicas ou
decisões que afetem diretamente a vida das pessoas.
Diante disso, é importante buscar informações
complementares e observar se a IA apresenta fontes
confiáveis. É essencial lembrar que essas ferramentas
apresentam mentiras com o mesmo tom de segurança
com que apresentam fatos. Se antes os mecanismos de
busca obrigavam o usuário a avaliar as informações por
conta própria, agora a IA faz isso em seu lugar. Por isso,
não se deve abandonar o pensamento crítico.
O método explora "fragilidades dos sistemas usados
pelos chatbots". Especialistas alertam que "as empresas
de IA" avançam mais rápido do que sua capacidade de
controlar "a precisão das respostas".
Considerando a substituição adequada dos termos
destacados por pronomes, de acordo com a norma
padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa
CORRETA.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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