Na era do Zoom, estantes atraem olhares e cresce
busca por livros com fins decorativos
Em evidência no cenário de lives e videoconferências,
bibliotecas de celebridades são julgadas pelos fãs
Com plataformas de videoconferência expondo nas
telas as casas de todo mundo, as estantes entraram em
evidência. Difícil não ficar atento aos títulos nas
prateleiras de artistas e jornalistas durante lives e
entrevistas. Ou não se preocupar com os livros que
mostramos nas reuniões. Efeito colateral dessa atenção
aos hábitos de leitura, sebos on-line estão destacando o
aspecto e a cor das lombadas de seus itens, e sites de
varejo oferecem lotes de livros aleatórios divididos por
cor (a famosa “compra por metro”). Em alguns casos,
eles vêm até sem texto dentro.
Os sebos físicos também perceberam a demanda.
Dono do Belle Époque, na Tijuca, Ivan Errante recebeu
recentemente um pedido de compra de publicações com
brochuras antigas para decoração. Ele relutou, mas
acabou ajudando a cliente com itens encalhados.
“Gosto de ver livros circulando para que sejam
lidos”, diz Errante. “Nesse caso, como não era pelo
conteúdo mesmo, peguei alguns que ninguém
procurava. Deu o maior trabalho para conseguir a
quantidade de livros encadernados que ela queria, mas
acabou dando certo.”
Embora pareça bom negócio, nem todos os livreiros
veem a prática com bons olhos. “Sinto uma certa
repugnância quando ouço alguém falar que quer livro
para decorar”, diz Mauricio Gouveia, do sebo Baratos
da Ribeiro. “Inclusive já me neguei a vender com esse
propósito.” Essa preocupação enviesada com as
bibliotecas tomou tal proporção que muitos recorrem a
ajuda profissional.[...]
Há elementos no texto que permitem a seguinte
inferência:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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