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Q4231650 Direito Penal
Marco, em 01/03/2026, em Fortaleza-CE, praticou crime de furto, tendo por objeto material cabos para fornecimento de energia elétrica, instalados em praça pública, avaliados em quantia inferior a de um salário mínimo federal vigente à época dos fatos, resultando, portanto, na interrupção do serviço no bairro alvo de sua ação. Nos termos do Código Penal, a conduta de Marco enquadra-se no crime de furto
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Código Penal, art. 155, § 8º, incluído pela Lei nº 15.181/2025, na redação aplicável em 01/03/2026: “§ 8º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos e multa, se a subtração for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia ou para transferência de dados, bem como equipamentos ou materiais ferroviários ou metroviários, aplicável, em qualquer caso, o disposto no § 2º deste artigo.” Os cabos subtraídos correspondem ao objeto descrito no dispositivo, o que sustenta o gabarito C.

Tema central: Furto qualificado de cabos
Análise das alternativas
A
Errada
A subtração de cabos utilizados no fornecimento de energia elétrica está expressamente abrangida pelo art. 155, § 8º. Por isso, não se aplica o enquadramento como furto simples nem a pena de um a quatro anos. O pequeno valor não afasta essa qualificadora.
B
Errada
Contraria o art. 155, § 8º, em três pontos: classifica o furto como simples, indica pena de um a seis anos em vez de dois a oito anos e exclui o privilégio, embora a parte final do dispositivo expressamente admita a aplicação do § 2º.
C
Certa
A alternativa C reúne as três consequências expressas do art. 155, § 8º: modalidade qualificada, reclusão de dois a oito anos e multa e compatibilidade com o privilégio. O Código Penal, art. 155, § 2º, estabelece: “§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.” Portanto, a expressão “sendo-lhe aplicável” deve ser entendida como admissibilidade jurídica, não como concessão automática: o pequeno valor foi indicado, mas o enunciado não informa a primariedade de Marco. Essa omissão impede afirmar o efetivo preenchimento de todos os requisitos do benefício.
D
Errada
A compatibilidade com o privilégio não transforma a conduta em furto simples. O objeto subtraído determina a incidência do art. 155, § 8º, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão e multa, e não de um a seis anos.
E
Errada
Embora acerte a modalidade qualificada e a pena, exclui indevidamente o privilégio. A parte final do art. 155, § 8º, determina expressamente: “aplicável, em qualquer caso, o disposto no § 2º deste artigo.” A qualificação e a interrupção do serviço não impedem automaticamente o benefício, que permanece condicionado à primariedade e ao pequeno valor.
Pegadinha da questão
O pequeno valor não afasta a qualificadora, assim como a qualificadora e a interrupção do serviço não excluem o privilégio. A remissão ao § 2º preserva a possibilidade do benefício, mas não dispensa seus requisitos.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o objeto material: cabos utilizados no fornecimento de energia elétrica atraem o art. 155, § 8º, independentemente do pequeno valor.
  • Separe compatibilidade normativa de concessão concreta: o privilégio é admitido, mas exige primariedade e pequeno valor.
  • Não acrescente requisitos ao § 8º: a interrupção do serviço não é exigência textual dessa qualificadora.

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Comentários

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CP

Furto

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 6 (seis) anos, e multa.

[...]

§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.

[...]

    § 8º A pena é de reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, se a subtração for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia ou para transferência de dados, bem como equipamentos ou materiais ferroviários ou metroviários, aplicável, em qualquer caso, o disposto no § 2º deste artigo.  (Redação dada pela Lei nº 15.397, de 2026)

Gabarito: C

O caso é furto qualificado do art. 155, § 8º, do CP, porque Marco subtraiu cabos utilizados para fornecimento de energia elétrica. A pena é de 2 a 8 anos e multa.

Além disso, o próprio § 8º determina que pode ser aplicado o furto privilegiado do § 2º. Como o valor é inferior a um salário mínimo, presentes os demais requisitos, o privilégio é possível.

o criminoso é primario? não sabemos pois a FCC não disse nada a respeito

a FCC vai anular essa questão pela ausência dessa informação indispensável pra constatar o privilégio? Só Deus sabe

ACRESCENTANDO:

"O fato de o agente ter sido surpreendido no INTERIOR DO ESTABELECIMENTO da vítima, portando consigo, acondicionados numa mochila, os bens que objetivava subtrair, demonstra tão somente o ITER CRIMINIS PERCORRIDO, mas NÃO A EFETIVA INVERSÃO DA POSSE, configurando TENTATIVA DE FURTO. (...) O TEMA 934 DO STJ dispensou a POSSE TRANQUILA, mas NÃO ELIMINOU A NECESSIDADE DE INVERSÃO DA POSSE. ESTAR COM O OBJETO ESCONDIDO DENTRO DA LOJA, POR SI SÓ, NÃO BASTA PARA CONSUMAR O FURTO."

STJ – AgRg no AgRg no AREsp 3.063.890-MS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 3/3/2026, DJEN 10/3/2026. INFORMATIVO 886.

o fato do serviço ter sido interrompido me levou a acreditar que o privilégio seria afastado

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