As emergências tireoidianas, embora raras, possuem alta mor...

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Q4036778 Medicina
As emergências tireoidianas, embora raras, possuem alta mortalidade. O reconhecimento da Tempestade Tireoidiana (Crise Tireotóxica) é eminentemente clínico, auxiliado por ferramentas de pontuação. Assim, analise as afirmativas a seguir sobre a Tempestade Tireoidiana.
I.O Escore de Burch-Wartofsky é utilizado para estimar a probabilidade de tempestade tireoidiana, avaliando parâmetros como temperatura, efeitos no SNC (agitação, coma), disfunção gastrointestinal, frequência cardíaca e presença de fator precipitante.
II.O tratamento envolve múltiplas drogas: antitireoidianos (Propiltiouracil ou Metimazol), iodo inorgânico (Lugol), beta-bloqueadores, corticosteroides e medidas de suporte.
III.O iodo (Lugol) deve ser administrado pelo menos 1 hora APÓS o antitireoidiano (PTUMetimazol) para evitar o efeito Jod-Basedow (aumento da síntese hormonal pelo substrato de iodo).
IV.O Propranolol é o beta-bloqueador de escolha, pois além de controlar a taquicardia, inibe a conversão periférica de T4 em T3 em altas doses.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende do reconhecimento clínico da tempestade tireoidiana e do manejo clássico descrito na BASE DE DECISÃO MÉDICA: o escore de Burch-Wartofsky auxilia a estimar a probabilidade clínica, e a sequência terapêutica correta inclui tionamida seguida de iodo, além de beta-bloqueio, corticosteroide e suporte. Como as quatro assertivas refletem esses princípios, a alternativa correta é C.

Tema central: Tempestade tireoidiana
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a assertiva III. Essa assertiva está correta dentro do manejo clássico da tempestade tireoidiana: o iodo não deve ser dado antes da tionamida, pois isso pode fornecer substrato para síntese hormonal; por isso a sequência correta é tionamida primeiro e iodo depois.
B
Errada
Está errada porque exclui II e IV, ambas corretas. II está correta porque a crise exige tratamento simultâneo da hiperatividade adrenérgica, da síntese/liberação hormonal e do estado crítico, com beta-bloqueador, antitireoidiano, iodo, corticosteroide e suporte. IV está correta porque o propranolol não atua apenas no controle da taquicardia; em doses altas, também reduz a conversão periférica de T4 em T3.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque reúne as quatro proposições compatíveis com a base médica clássica cobrada em prova. O reconhecimento da crise é eminentemente clínico e pode ser auxiliado pelo escore de Burch-Wartofsky, que considera temperatura, alterações cardiovasculares, manifestações do SNC, disfunção gastrointestinal/hepática e fator precipitante. O tratamento é multimodal, com beta-bloqueador, tionamida, iodo administrado depois da tionamida, corticosteroide e suporte. A sequência farmacológica importa: a tionamida deve vir antes do iodo para impedir que o iodo seja aproveitado na síntese hormonal e, em seguida, permitir o efeito inibitório do iodo sobre a liberação hormonal. Além disso, o propranolol é classicamente o beta-bloqueador de escolha porque controla a hiperatividade adrenérgica e, em doses altas, reduz a conversão periférica de T4 em T3.
D
Errada
Está errada porque exclui I e III, que também são corretas. I está correta porque o escore de Burch-Wartofsky é ferramenta clínica de probabilidade para tempestade tireoidiana. III está correta porque a ordem tionamida antes do iodo é um ponto técnico clássico do tratamento; inverter essa ordem é erro farmacológico relevante.
Pegadinha da questão
A confusão real está na assertiva III: a banca explora a dúvida sobre a justificativa fisiopatológica, mas o ponto operacional cobrado é a conduta correta de administrar o iodo somente após a tionamida. Outra armadilha é tratar o propranolol como fármaco apenas sintomático e esquecer seu efeito, em doses altas, na conversão periférica de T4 em T3.
Dica para questões semelhantes
  • Em tempestade tireoidiana, priorize a lógica do tratamento em blocos: beta-bloqueio, inibição da síntese com tionamida, iodo depois da tionamida, corticosteroide e suporte.
  • Se a questão citar Burch-Wartofsky, pense em ferramenta clínica de probabilidade, não em diagnóstico laboratorial definitivo.
  • A sequência entre tionamida e iodo é ponto de prova: primeiro bloqueia síntese, depois usa iodo para reduzir liberação hormonal.
  • Ao ver propranolol em crise tireotóxica, lembre do duplo papel clássico: controle adrenérgico e redução da conversão periférica de T4 em T3 em doses altas.

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