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Q4036777 Medicina
Um paciente de 55 anos, tabagista (40 maços-ano), procura atendimento com queixa de dispneia progressiva e tosse produtiva crônica. A espirometria revela uma relação VEF1CVF < 0,70 pós-broncodilatador, confirmando obstrução fixa ao fluxo aéreo. O paciente apresenta dispneia aos pequenos esforços (mMRC 2) e teve uma exacerbação moderada no último ano que não necessitou de internação.
Acerca do manejo farmacológico da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) segundo as diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. (__)O pilar do tratamento para pacientes sintomáticos é a broncodilatação de longa ação, podendo-se utilizar um LAMA (Antagonista Muscarínico de Longa Ação) ou um LABA (Beta-2 Agonista de Longa Ação).
(__)O uso de Corticosteroides Inalatórios (CI) é indicado como monoterapia inicial para todos os pacientes com DPOC, visando reduzir a inflamação brônquica e prevenir a perda de função pulmonar.
(__)Pacientes classificados no Grupo E (Exacerbadores), que apresentam eosinofilia sanguínea = 300 célulasµL, beneficiam-se da terapia tripla (LABA + LAMA + Corticoide Inalatório) para redução de exacerbações.
(__)A reabilitação pulmonar é recomendada apenas para pacientes em estágio terminal da doença, não trazendo benefícios para aqueles com obstrução moderada ou grave que ainda deambulam.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão cobra a lógica GOLD para DPOC sintomática: broncodilatadores de longa ação são a base do tratamento inicial; o CI não deve ser usado como monoterapia inicial universal; em pacientes do grupo E com eosinófilos >= 300 células/µL pode-se considerar LABA+LAMA+CI; e a reabilitação pulmonar integra o manejo não farmacológico sem se limitar à fase terminal. Esses critérios sustentam o julgamento das assertivas.

Tema central: Manejo inicial da DPOC
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inverte dois pontos definidos pela GOLD. A 1ª assertiva não é falsa: broncodilatador de longa ação é o eixo do tratamento sintomático da DPOC. A 4ª também não é verdadeira: reabilitação pulmonar não se restringe a estágio terminal e melhora dispneia, capacidade funcional e qualidade de vida em pacientes sintomáticos.
B
Errada
Incorreta pelo mesmo erro estrutural da alternativa A. Embora reconheça corretamente que a 2ª assertiva é falsa e a 3ª é verdadeira, erra ao marcar a 1ª como falsa, contrariando a base farmacológica da DPOC estável, e a 4ª como verdadeira, contrariando a indicação ampla de reabilitação pulmonar na diretriz.
C
Certa
A alternativa C é a única que corresponde ao julgamento correto das quatro assertivas pela GOLD. A 1ª é verdadeira porque a broncodilatação inalatória de longa ação sustenta o tratamento da DPOC sintomática, podendo envolver LAMA ou LABA como base terapêutica. A 2ª é falsa porque corticosteroide inalatório não deve ser usado como monoterapia inicial para todos os pacientes com DPOC; seu papel é seletivo, sobretudo na prevenção de exacerbações em perfis com maior chance de resposta, como eosinofilia elevada e/ou asma associada. A 3ª é verdadeira porque, na GOLD atual, o grupo E tem como base LABA+LAMA, e a terapia tripla LABA+LAMA+CI pode ser considerada quando eosinófilos sanguíneos são >= 300 células/µL para reduzir exacerbações. A 4ª é falsa porque a reabilitação pulmonar faz parte do manejo não farmacológico da DPOC e traz benefício em pacientes sintomáticos de diferentes estágios, não apenas em doença terminal.
D
Errada
Incorreta porque valida indevidamente a 2ª assertiva. Na DPOC, corticosteroide inalatório não é tratamento inicial universal em monoterapia e não deve ser proposto para todos os pacientes com a justificativa de prevenir perda de função pulmonar. Esse raciocínio transfere indevidamente para a DPOC um papel anti-inflamatório basal que a diretriz não reconhece dessa forma.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar DPOC como se fosse asma, presumindo CI inalatório como terapia basal universal, e achar que a preferência atual por LABA+LAMA tornaria falsa a afirmação de que LAMA ou LABA podem compor a base broncodilatadora de longa ação.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão citar GOLD atual e mencionar grupo E, procure primeiro a lógica sintomas/exacerbações e o papel central da broncodilatação de longa ação.
  • Em DPOC, descarte de saída alternativas que proponham CI como monoterapia inicial universal; o uso do CI é seletivo.
  • Quando houver eosinófilos >= 300 células/µL em exacerbador, lembre da possibilidade de considerar terapia tripla para reduzir exacerbações.
  • Reabilitação pulmonar é medida não farmacológica útil em pacientes sintomáticos e não exclusiva de doença terminal.

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