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Q3995495 Medicina
J.C.S , 43 anos do sexo masculino, com histórico de cirurgia abdominal prévia (apendicectomia na adolescência) relata início súbito de dor abdominal periumbilical em cólica, que se tornou mais intensa e persistente nas últimas 24 horas, juntamente com distensão progressiva do abdome e vômitos biliosos, seguidos de vômitos fecaloides tardios. Ele nega eliminação de fezes ou flatos no período. Ao exame físico, o paciente apresenta-se desidratado, com taquicardia leve. O abdome está distendido, tenso e hiper timpânico à percussão, com ruídos hidroaéreos aumentados e de timbre metálico. O toque retal ausência de fezes na ampola retal. Relata última ingestão alimentar há 2 horas. Não apresenta sinais de via aérea difícil prevista. Encontra-se hemodinamicamente estável. Indicado laparoscopia de urgência. Para esse quadro, qual é a estratégia anestésica mais adequada para indução da anestesia geral nesse cenário? Assinalar a melhor alternativa entre as proposições abaixo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Obstrução intestinal mecânica com vômitos fecaloides, distensão abdominal e cirurgia de urgência caracteriza estômago funcionalmente cheio e alto risco de broncoaspiração; sem via aérea difícil prevista, a conduta indicada é indução em sequência rápida com proteção imediata da via aérea.

Tema central: Risco de aspiração
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque a indução inalatória lenta com manutenção de ventilação espontânea prolonga o tempo sem via aérea protegida em um paciente com alto risco de regurgitação e broncoaspiração. Nesse contexto, o ponto decisivo não é manter ventilação espontânea, e sim proteger precocemente a via aérea.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro é de obstrução intestinal mecânica com retenção patológica de conteúdo gastrointestinal, o que eleva muito o risco de regurgitação e aspiração durante a indução anestésica. Nessa situação, a estratégia deve reduzir ao máximo o intervalo entre a perda dos reflexos protetores e o isolamento da traqueia. Como não há previsão de via aérea difícil, a sequência rápida é a técnica mais adequada para proteger precocemente a via aérea nesse cenário de urgência.
C
Errada
Incorreta porque a indução venosa convencional com ventilação sob máscara antes da intubação pode insuflar o estômago e aumentar a chance de regurgitação/aspiração na obstrução intestinal. A estabilidade hemodinâmica não elimina esse risco; o problema central é a necessidade de proteção imediata da via aérea.
D
Errada
Incorreta porque completar 6 horas de jejum não corrige o risco de aspiração na obstrução intestinal, já que há retenção patológica de conteúdo gastrointestinal e o caso é de urgência. Jejum cronológico não equivale a estômago vazio nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre jejum cronológico e risco real de aspiração: embora a última refeição tenha sido há 2 horas, a obstrução intestinal com vômitos fecaloides e distensão define estômago cheio patológico.
Dica para questões semelhantes
  • Em abdome agudo obstrutivo com distensão, vômitos e parada de fezes/flatos, pense primeiro em alto risco de aspiração.
  • Se houver alto risco de regurgitação e não houver via aérea difícil prevista, a lógica é proteger a traqueia o mais precocemente possível.
  • Indução convencional com ventilação sob máscara perde espaço quando a insuflação gástrica pode aumentar regurgitação em obstrução intestinal.
  • Não aplique a regra de jejum da cirurgia eletiva a uma urgência com esvaziamento gastrointestinal comprometido.

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