Puérpera, 28 anos, recebeu analgesia peridural durante o tr...

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Q3995493 Medicina
Puérpera, 28 anos, recebeu analgesia peridural durante o trabalho de parto, evoluindo com punção dural acidental com agulha de Tuohy. No 2º dia pós-parto, apresenta cefaleia intensa, de caráter postural (piora ao sentar ou ficar em pé e melhora ao deitar), associada a fotofobia leve, sem febre, sem rigidez de nuca e com exame neurológico normal. Medidas conservadoras iniciais, incluindo analgésicos e hidratação, não controlaram os sintomas. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada? Assinale entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O quadro é típico de cefaleia pós-punção dural: punção dural acidental com agulha de Tuohy, cefaleia postural intensa no puerpério, exame neurológico normal, ausência de sinais infecciosos e falha das medidas conservadoras. Nesse cenário, a conduta mais efetiva é o epidural blood patch após avaliação clínica de segurança.

Tema central: Cefaleia pós-punção dural
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o enunciado descreve o padrão sindrômico clássico de cefaleia pós-punção dural após técnica neuroaxial: perda de LCR por perfuração dural, gerando hipotensão liquórica e cefaleia de caráter postural. Como a dor é intensa e não respondeu às medidas conservadoras iniciais, a conduta de maior eficácia passa a ser o epidural blood patch. A ausência de febre, rigidez de nuca, déficit focal ou alteração do exame neurológico sustenta que não há, no enunciado, sinal prioritário de outra etiologia que impeça essa conduta, desde que se faça a avaliação de segurança do procedimento.
B
Errada
Está errada porque afirma uma regra falsa: cefaleia no pós-parto não é sempre secundária nem exige tomografia antes de qualquer intervenção. O papel da imagem é guiado por sinais atípicos, neurológicos, infecciosos ou dúvida diagnóstica relevante. Aqui, a associação temporal com punção dural conhecida, a cefaleia ortostática típica e o exame neurológico normal favorecem fortemente cefaleia pós-punção dural, sem indicação de TC obrigatória como passo inicial.
C
Errada
Está errada porque, em cefaleia pós-punção dural intensa e refratária a analgésicos e hidratação, insistir apenas em tratamento conservador por 7 dias posterga indevidamente a terapia mais efetiva. O epidural blood patch é procedimento consagrado nesse contexto e não deve ser descartado por uma alegação genérica de aumento significativo do risco infeccioso; a conduta correta é avaliar segurança e contraindicações, não adiar rotineiramente o escalonamento terapêutico.
D
Errada
Está errada porque não há quadro clínico compatível com AVC isquêmico agudo. O enunciado não descreve déficit neurológico focal, alteração de linguagem, assimetria motora, convulsão ou outro sinal de síndrome vascular cerebral aguda. Indicar trombólise sistêmica nesse cenário seria tecnicamente inadequado e potencialmente perigoso, porque o quadro apresentado é típico de cefaleia pós-punção dural.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre duas ideias verdadeiras fora de contexto: o puerpério amplia o diagnóstico diferencial de cefaleia, mas isso não invalida um quadro clássico de cefaleia pós-punção dural após punção dural conhecida; por isso, não se exige neuroimagem rotineira antes do blood patch quando faltam sinais de alarme.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver punção dural conhecida e cefaleia claramente ortostática, pense primeiro em cefaleia pós-punção dural.
  • Exame neurológico normal e ausência de febre, rigidez de nuca ou déficit focal afastam, no contexto da questão, a necessidade de priorizar outras causas graves.
  • Quando a cefaleia pós-punção dural é intensa e falha ao manejo conservador, o próximo passo esperado é epidural blood patch.
  • Não trate neuroimagem como obrigatória em toda cefaleia puerperal; ela depende de red flags ou dúvida diagnóstica relevante.

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