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Q3995492 Medicina
F.L.T, 56 anos, portador de tumor de base de língua, com trismo moderado e história prévia de radioterapia cervical, programado para laringectomia total. A avaliação pré-anestésica sugere provável dificuldade tanto para ventilação com máscara quanto para intubação traqueal. Saturação periférica de oxigênio em repouso de 94% em ar ambiente. Considerando as diretrizes atuais, qual é a conduta mais adequada entre as alternativas abaixo?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a via aérea difícil prevista com provável dificuldade simultânea de ventilação com máscara e de intubação, associada a tumor de base de língua, trismo moderado e radioterapia cervical prévia; nesse cenário, a conduta correta é assegurar a via aérea antes da indução anestésica.

Tema central: Via aérea difícil prevista
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque bloqueio cervical não resolve a necessidade prioritária de garantir uma via aérea definitiva segura antes da anestesia. O caso é definido por via aérea difícil prevista, não por necessidade de analgesia regional cervical. Manter o paciente acordado sem estabelecer previamente a via aérea definitiva deixa sem controle o risco principal de falha de oxigenação.
B
Errada
Está errada porque indução em sequência rápida seguida de laringoscopia direta expõe o paciente ao risco de perda da via aérea num contexto em que já se prevê dificuldade tanto para ventilar com máscara quanto para intubar. Além disso, a laringoscopia direta é particularmente desfavorecida aqui pelo trismo moderado e pela distorção anatômica associada ao tumor de base de língua e à radioterapia cervical prévia. Ser uma cirurgia de via aérea não anula esses preditores.
C
Errada
Está errada porque indução inalatória por máscara até plano profundo depende de uma ventilação por máscara confiável durante o aprofundamento anestésico, exatamente o que o enunciado coloca como provável dificuldade. Mesmo com alguma preservação inicial da respiração espontânea, aprofundar a anestesia pode levar a obstrução, perda de tônus e deterioração ventilatória antes de a via aérea estar assegurada. O erro técnico é induzir anestesia geral num cenário em que a ventilação sob máscara já é prevista como difícil.
D
Certa
A alternativa D está correta porque responde ao problema central do caso: alto risco de perda da via aérea após indução anestésica. Em cenário com preditores de intubação difícil e de ventilação difícil, a estratégia preferencial é abordar a via aérea com o paciente acordado, mantendo ventilação espontânea enquanto se estabelece a via aérea definitiva. Isso reduz o risco de falha de oxigenação em comparação com técnicas que induzem anestesia antes do controle seguro da via aérea. O ponto decisivo não é o nome da cirurgia, mas a combinação de anatomia desfavorável e avaliação pré-anestésica já indicando risco de cenário “não intuba/não ventila”.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o tipo de cirurgia e o verdadeiro critério decisivo. O fato de ser uma laringectomia total pode levar o candidato a aceitar indução imediata ou estratégia agressiva, mas a decisão correta é guiada pela previsão combinada de ventilação difícil e intubação difícil no pré-operatório.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão trouxer dificuldade prevista de intubação e também de ventilação com máscara, pense primeiro em assegurar a via aérea antes da indução anestésica.
  • Tumor de base de língua, trismo e radioterapia cervical prévia somam distorção anatômica, limitação de acesso oral e menor complacência tecidual; juntos, fortalecem a indicação de estratégia acordada.
  • Ventilação espontânea durante indução inalatória não equivale à segurança da intubação acordada quando a ventilação por máscara já é prevista como difícil.
  • Em via aérea difícil prevista, a resposta correta costuma depender mais da estratégia global e do plano de contingência do que do nome de um dispositivo específico.

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