J.D.A, feminino, 68 anos, portadora de fibrilação atrial, e...

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Q3995489 Medicina
J.D.A, feminino, 68 anos, portadora de fibrilação atrial, em uso regular de apixabana 5 mg a cada 12 horas, será submetida a artroplastia total de joelho com planejamento de anestesia peridural com cateter para analgesia pós-operatória. Apresenta função renal preservada (clearance de creatinina estimado de 85 mL/min). A última dose de apixabana foi administrada hoje às 08:00, e o procedimento cirúrgico está programado para amanhã às 07:00. Qual é a conduta mais adequada entre as opções listadas abaixo?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A decisão é não realizar a anestesia neuraxial com cateter no horário proposto, porque a paciente usa apixabana 5 mg 12/12 h e o intervalo de 23 horas desde a última dose é inferior ao tempo de segurança recomendado para bloqueio neuraxial; além disso, a próxima dose do DOAC não deve ocorrer com cateter neuraxial in situ.

Tema central: Apixabana e bloqueio neuraxial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única compatível com o manejo seguro do neuroeixo em paciente usando apixabana 5 mg 12/12 h. A base decisiva é a diretriz da ASRA 5ª edição, que recomenda pelo menos 72 horas de suspensão antes de bloqueio neuraxial em apixabana em dose alta, e a diretriz conjunta ESAIC/ESRA, que determina que a próxima dose de DOAC seja administrada somente após a retirada do cateter neuraxial. Como o intervalo disponível é de apenas 23 horas, a punção peridural planejada para amanhã não atende ao intervalo de segurança, e reiniciar a apixabana com o cateter ainda implantado aumentaria o risco de hematoma epidural/raquimedular.
B
Errada
Errada porque manter apixabana e realizar peridural ignora o critério farmacológico de segurança neuraxial. A técnica atraumática não substitui o intervalo mínimo de suspensão do DOAC. A anticoagulação residual persiste com apenas 23 horas da última dose, e o risco de hematoma neuraxial continua clinicamente relevante.
C
Errada
Errada em dois pontos independentes: a inserção do cateter após apenas 23 horas de suspensão já contraria a recomendação para apixabana em dose terapêutica, e a retirada do cateter seguida de reinício no mesmo dia após 6 horas não respeita a regra de temporização do cateter neuraxial em relação ao DOAC. Inserção e retirada do cateter são ambas intervenções neuraxiais com risco hemorrágico relevante.
D
Errada
Errada porque substituir apixabana por ácido acetilsalicílico não resolve o problema decisivo da questão. Primeiro, o bloqueio continuaria inadequado porque a paciente já tomou apixabana e o intervalo até a punção permanece insuficiente. Segundo, AAS não é estratégia adequada de substituição da anticoagulação da fibrilação atrial para liberar anestesia neuraxial sem restrições.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa ideia de que função renal preservada e punção atraumática permitiriam abreviar a espera. Não permitem: em apixabana 5 mg 12/12 h com cateter peridural, 23 horas desde a última dose continuam insuficientes, e o DOAC não deve ser reiniciado com cateter no neuroeixo.
Dica para questões semelhantes
  • Em DOAC com bloqueio neuraxial, primeiro confira se a dose é terapêutica e conte o intervalo real entre a última dose e a punção.
  • Cateter neuraxial torna a questão mais restritiva: a retirada do cateter também exige temporização específica em relação ao anticoagulante.
  • Função renal normal reduz acúmulo, mas não autoriza encurtar por conta própria o intervalo neuraxial recomendado.
  • Se houver DOAC, não aceite alternativa que proponha reinício com cateter neuraxial ainda implantado.

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