R.B.C, 24 anos, ASA I (American Society of Anesthesiologists...

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Q3995479 Medicina
R.B.C, 24 anos, ASA I (American Society of Anesthesiologists – classe física I), submetido a apendicectomia sob anestesia geral com sevoflurano. Após 30 minutos de anestesia, observa-se elevação progressiva do ETCO₂ (pressão parcial de dióxido de carbono ao final da expiração) para 68 mmHg, refratária à hiperventilação, frequência cardíaca de 145 bpm, rigidez muscular generalizada, temperatura corporal de 39 °C e potássio sérico de 6,1 mEq/L.
Qual é a conduta imediata mais adequada? Assinale entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Durante anestesia com sevoflurano, a elevação progressiva do ETCO2 refratária à hiperventilação, associada a rigidez muscular, taquicardia, hipertermia e hipercalemia, caracteriza hipertermia maligna. Nessa crise hipermetabólica farmacogenética, a conduta imediata é suspender o agente desencadeante, administrar O2 a 100% e iniciar dantrolene intravenoso, que trata o mecanismo causal.

Tema central: Hipertermia maligna intraoperatória
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque é a única que trata o mecanismo causal da crise. O quadro é típico de hipertermia maligna desencadeada por anestésico volátil, com produção excessiva de CO2, rigidez muscular, hipertermia e hipercalemia por hipermetabolismo e lesão muscular. O dantrolene é a terapia específica porque reduz a liberação de cálcio no músculo esquelético, interrompendo a fisiopatologia central da crise. Suspender o sevoflurano remove o agente gatilho, e o oxigênio a 100% é medida imediata de suporte apropriada nesse contexto.
B
Errada
Está errada porque trata apenas consequências da crise, não a causa. Hiperventilação e bicarbonato podem atuar como medidas adjuvantes para hipercapnia e acidose, mas não revertem a hipertermia maligna. Neste cenário, o ETCO2 elevado não representa hipoventilação isolada, e sim produção endógena excessiva de CO2 por estado hipermetabólico.
C
Errada
Está errada porque reinalação de CO2 por cal sodada esgotada ou problema de circuito não explica adequadamente o conjunto de rigidez muscular generalizada, hipertermia e hipercalemia. O dado decisivo é o ETCO2 elevado refratário à hiperventilação associado a sinais sistêmicos musculares, o que aponta para hipertermia maligna e não para causa mecânica do circuito.
D
Errada
Está errada porque betabloqueador e antitérmico fariam apenas controle sintomático de manifestações secundárias. Na hipertermia maligna, a taquicardia decorre do hipermetabolismo e a elevação térmica não é febre por mecanismo pirético habitual; sem suspender o gatilho e sem dantrolene, a crise continua progredindo. Além disso, tratar só a taquicardia pode mascarar a gravidade hemodinâmica.
Pegadinha da questão
A banca explora a ancoragem no ETCO2 alto como se fosse falha ventilatória ou problema de circuito; o detalhe que desfaz essa leitura é a refratariedade à hiperventilação associada a rigidez muscular, hipertermia e hipercalemia, conjunto típico de hipertermia maligna.
Dica para questões semelhantes
  • Em anestesia com volátil, ETCO2 inexplicadamente elevado e refratário à hiperventilação é sinal precoce importante de crise hipermetabólica.
  • Associe rigidez muscular, hipertermia e hipercalemia ao diagnóstico sindrômico de hipertermia maligna.
  • Diferencie medida adjuvante de tratamento causal: na hipertermia maligna, o que muda o desfecho imediato é suspender o gatilho e administrar dantrolene.
  • Não atribua hipercapnia intraoperatória ao circuito quando há sinais sistêmicos musculares concomitantes.

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