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Q3332043 Medicina
Um paciente de 55 anos, vítima de queda de altura significativa, apresenta dor intensa na região lombar e deformidade em cunha na coluna vertebral. A radiografia lateral revela um ângulo de Cobb de 25 graus na região toracolombar. Qual o diagnóstico mais provável?
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Tema central: trauma de coluna toracolombar com deformidade em cunha e dor intensa após queda de altura. Esse padrão sugere fratura vertebral por compressão, frequentemente decorrente de carga axial com flexão, que colapsa o muro anterior do corpo vertebral.

Alternativa correta: D – Fratura vertebral por compressão

O cenário clínico (trauma de alta energia), a deformidade em cunha vista na radiografia lateral e um ângulo de Cobb de 25° na região toracolombar são típicos de fratura por compressão. Nesse contexto, o “Cobb” medido no perfil expressa cifose segmentar pós-trauma (não escoliose). Na classificação AO Spine, corresponde a padrão do tipo A (principalmente A1, se a parede posterior estiver íntegra). Diretrizes e revisões (AO Spine; UpToDate; ACR Appropriateness Criteria para trauma da coluna) recomendam TC para avaliar comprometimento do muro posterior/estouro (burst) e RM quando há suspeita de lesão ligamentar ou déficit neurológico.

Exames e condução

- Radiografia AP e perfil; TC para detalhar o traço e estabilidade; RM se dor desproporcional, déficit neurológico ou dúvida sobre edema agudo/ligamentos.

- Tratamento (se estável e sem déficit): analgesia, mobilização precoce, órtese toracolombar, fisioterapia. Cifoplastia/vertebroplastia pode ser considerada em dor refratária. Cirurgia se instabilidade, déficit neurológico, cifose progressiva ou fratura burst com compressão canal (NASS/AO Spine).

Por que as demais estão incorretas?

A) Hérnia discal lombar: causa dor radicular, achados neurológicos; radiografia geralmente é normal. Não gera cunha do corpo vertebral.

B) Escoliose idiopática: é curvatura no plano coronal com Cobb ≥10° no AP. O caso descreve cifose traumática no perfil, após trauma agudo, não uma escoliose crônica. Pegadinha: “Cobb” aqui não é para escoliose.

C) Osteoporose: doença predisponente a fraturas de baixa energia, diagnosticada por DXA. O quadro é de alta energia e descreve a lesão, não a doença. Embora fraturas osteoporóticas também sejam em cunha, o mecanismo e contexto não batem.

E) Espondilolistese: é o deslizamento de uma vértebra sobre a outra, visível como “escorregamento” no perfil. Não cursa com cunha do corpo causada por compressão axial.

Estratégia de prova: associe “queda de altura” + “cunha” + “Cobb no perfil (cifose)” → fratura por compressão. Desconfie de “escoliose” quando o dado é do perfil; lembre que hérnia discal não deforma o corpo vertebral e espondilolistese mostra escorregamento, não cunha.

Referências úteis: AO Spine Classification; UpToDate – Evaluation and management of thoracolumbar fractures; ACR Appropriateness Criteria – Suspected spine trauma.

Gabarito: D

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