Em “... um certo Francisco Nava que teria aportado ao Brasi...

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Q2251726 Português
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        Na linha varonil da minha família paterna essa guarda de tradições foi suspensa devido à sucessão de três gerações de morredores! A de meu Pai, que desapareceu aos 35 anos. A do seu pai, falecido aos 37. Meu bisavô, não sei com que idade morreu. Cedo, decerto, pois meu avô foi criado de menino por uma de suas avós ou tias-avós. É assim que cada uma dessas gerações ficou sabendo pouco das anteriores e não teve tempo de transmitir esse pouco às sucedentes. Por essa razão, também quase nada sei de meu avô paterno. O que se transmitiu até meu pai e suas irmãs é que sua origem era italiana e que vinha de um certo Francisco Nava, que teria aportado ao Brasil no fim do século XVIII ou princípio do XIX. Ignoram-se seu nível social, as razões por que veio da Itália e que ponto do Brasil ele viu primeiro do paravante de seu veleiro. Onde desembarcou, onde se fixou, que ofício adotou? – tudo mistério. Como era, quem era, que era? Seria um revolucionário, um maçom, um liberal, um carbonário, um fugitivo? Onde e com quem se casou? Nada se sabe. Dele só ficou o apelido. Essa coisa mística, evocativa, mágica e memorativa que o tira do nada porque ele era Francisco de seu nome; essa coisa ritual, associativa, gregária, racial e cultural que o envulta porque ele era Nava de seu sobrenome. O nomeado, porque o é, existe. Servo do Senhor, pode-se pedir por ele na missa dos mortos.

(Pedro Nava. Baú de Ossos. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Em “... um certo Francisco Nava que teria aportado ao Brasil...” a forma verbal em destaque expressa 
Alternativas

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Tema central da questão: O ponto principal avaliado foi a interpretação de texto com enfoque no uso dos tempos verbais, mais precisamente o futuro do pretérito do indicativo e suas funções na norma-padrão da Língua Portuguesa.

Justificativa para a alternativa correta (A):

No trecho analisado, o verbo "teria aportado" está empregado no futuro do pretérito. Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), esse tempo verbal, além de indicar uma ação que aconteceria posteriormente a outra passada, também expressa suposição, dúvida ou incerteza sobre fatos do passado. Ou seja, ao afirmar que Francisco Nava teria aportado, o autor indica incerteza sobre a veracidade do fato narrado.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) duração de uma ação que se prolonga no tempo. – O futuro do pretérito não indica duração; quem faz isso frequentemente é o pretérito imperfeito (“estudava”, “morava” etc.).
  • C) surpresa diante de um fato desconhecido do passado.O trecho não revela surpresa; o sentimento é de incerteza. Surpresa se manifesta por outros recursos linguísticos, como interjeições.
  • D) expectativa do autor sobre um acontecimento passado. – O futuro do pretérito não transmite expectativa; expectativa sobre o passado implicaria expectativa que já não pode ser realizada, o que não é o caso aqui.
  • E) possibilidade que pode se tornar real no futuro.Aqui, o verbo se refere a ação hipotética do passado, e não a uma possibilidade futura.

Estratégias: Cuidado com pegadinhas! A expressão “futuro do pretérito” pode sugerir um acontecimento no futuro, mas seu uso frequente é para exprimir incertezas ou suposições sobre o passado, conforme ensinam autores clássicos da gramática.

Resumo: O futuro do pretérito em “teria aportado” foi usado para mostrar incerteza (alternativa A). Mantenha sempre atenção aos sentidos contextuais dos tempos verbais!

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Comentários

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gab A

A forma verbal em destaque, "teria aportado", expressa a incerteza sobre a ação que é narrada. A alternativa correta é a A.

Explicação:

O verbo "aportar" está no pretérito perfeito do subjuntivo, modo verbal que indica incerteza, dúvida ou hipótese.

A expressão "um certo Francisco Nava" reforça essa incerteza, pois indica que o autor não tem certeza absoluta sobre a identidade do personagem.

O contexto do texto também contribui para a sensação de incerteza. O autor relata que pouco sabe sobre seus antepassados, e as informações sobre Francisco Nava são fragmentadas e incertas.

Por que as outras alternativas estão incorretas:

B: O verbo "aportar" não indica duração de uma ação.

C: O texto não expressa surpresa diante de um fato desconhecido do passado.

D: O texto não apresenta expectativa do autor sobre um acontecimento passado.

E: O verbo "aportar" não indica possibilidade que pode se tornar real no futuro.

Exemplos de outras formas verbais que expressam incerteza:

Poderia ter aportado

Haveria aportado

Seria possível que tivesse aportado

Conclusão:

A forma verbal "teria aportado" expressa a incerteza do autor sobre a chegada de Francisco Nava ao Brasil. Essa incerteza é reforçada pelo contexto do texto e pela falta de informações precisas sobre o personagem.

Observações:

É importante estar atento ao modo verbal utilizado para identificar a intenção do autor.

O contexto do texto é fundamental para interpretar o significado das formas verbais.

Teria = futuro do pretérito

Só pela palavra poderia ser a A ou a D, o texto foi o que deu o sentido de fato.

Dica: lembrar da repórter - os bandidos teriam roubado... (incerteza, suspeitos)

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