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Q3194481 Medicina
Uma criança de 10 anos está com dor lombar (abaixo da cintura) e em um joelho há 3 meses. O exame físico não evidencia artrite no joelho, mas há dor a digito-pressão da tuberosidade anterior da tíbia. A principal hipótese diagnóstica é: 
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Tema central: espondiloartrites juvenis, especialmente a Artrite Relacionada à Entesite (ERA), subtipo de AIJ. O enunciado descreve dor crônica (3 meses), dor lombar e dor no joelho sem artrite, mas com sensibilidade na tuberosidade anterior da tíbia — um ponto de entese (inserção do tendão patelar).

Alternativa correta: A – Artrite relacionada a entesite

Na ERA, crianças (geralmente meninos >6 anos) apresentam entesite em membros inferiores (p.ex., tuberosidade tibial, calcâneo) e podem ter dor lombar inflamatória/sacroiliíte. Pelos critérios ILAR, o diagnóstico se dá por artrite + entesite ou por artrite ou entesite associados a sinais como dor lombar inflamatória, HLA‑B27, sexo masculino >6 anos, uveíte aguda, ou história familiar de espondiloartrite. O quadro descrito (entesite + dor lombar crônica) encaixa-se no espectro ERA. Referências: UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine; ACR/EULAR-PRES para AIJ.

Exames úteis: hemograma, VHS/CRP (podem elevar), HLA‑B27 (frequente), ultrassom de enteses (espessamento/hiperemia) e RM de sacroilíacas para detectar sacroiliíte precoce. Tratamento (resumo): AINEs; infiltração local; csDMARDs (metotrexato para periférico, sulfassalazina); anti‑TNF nos casos com acometimento axial ou refratariedade (ACR 2019/2021).

Por que as demais estão incorretas?

B – Epifisiólise (SCFE): típica em adolescentes com sobrepeso, com dor no quadril irradiada para coxa/joelho e limitação de rotação interna. Não cursa com sensibilidade da tuberosidade tibial nem dor lombar inflamatória. RX de quadril confirmaria o deslizamento.

C – Osgood–Schlatter: apofisite de tração da tuberosidade tibial em atletas, com dor anterior do joelho mecânica, pior ao esforço. Explica a dor na tuberosidade, mas não justifica dor lombar crônica e não é entidade inflamatória sistêmica. Ausência de dor axial é a chave que costuma diferenciá-la da ERA.

D – Legg–Calvé–Perthes: necrose avascular da cabeça femoral, idade típica 4–8 anos, dor/lipodemia no quadril, limitação de abdução/rotação interna e, às vezes, dor referida no joelho. Não causa entesite na tuberosidade tibial nem dor lombar.

E – Doença de Scheuermann: cifose juvenil com dor torácica/lombar mecânica e hipercifose rígida ao exame; achados radiográficos vertebrais específicos. Não há entesite no joelho.

Estratégia de prova: diante de dor em ponto de inserção tendínea + dor lombar crônica, pense no espectro das espondiloartrites (ERA). A “pegadinha” é confundir a dor na tuberosidade com Osgood–Schlatter; o detalhe que decide é a presença de dor lombar inflamatória e a cronicidade.

Referências rápidas: UpToDate (Juvenile spondyloarthritis); Harrison’s; ACR 2019/2021 para AIJ; EULAR/PRES recomendações em AIJ.

Gabarito: A

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