Paciente do sexo feminino, 57 anos, portadora de doença por ...

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Q4039006 Medicina
Paciente do sexo feminino, 57 anos, portadora de doença por refluxo gastroesofágico, tem intenção de ser submetida ao tratamento cirúrgico, por refratariedade ao tratamento comportamental e ao uso de inibidores de bomba de prótons. Apresenta IMC de 30 e hipertensão arterial sistêmica controlada por uso de anti-hipertensivos. Recentemente apresentou disfagia para sólidos, melhorando após ingestão de líquidos, situação que levou a uma perda ponderal de 10 kg em 6 meses. A endoscopia digestiva alta mostrou esofagite erosiva distal, grau B de Los Angeles, com poucos resíduos alimentares, e hérnia hiatal por deslizamento de 3,0 cm. Assinale a alternativa correta em relação à adequada avaliação dessa paciente.  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em candidata à cirurgia antirrefluxo, a presença de disfagia para sólidos com perda ponderal exige investigação funcional do esôfago, especialmente manometria, mesmo quando a endoscopia não mostra dificuldade de progressão do aparelho. Isso é necessário para excluir distúrbio motor esofágico relevante e orientar a técnica cirúrgica, sustentando a alternativa A.

Tema central: Manometria pré-operatória
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a endoscopia sem impedimento mecânico à passagem do aparelho não exclui acalásia nem outros distúrbios motores. Em paciente com DRGE candidata à fundoplicatura, a disfagia impõe manometria para documentar a motilidade esofágica, afastar doença motora relevante e orientar a estratégia cirúrgica.
B
Errada
Está errada porque a refratariedade ao tratamento clínico, isoladamente, não sustenta a indicação cirúrgica neste caso. A disfagia com perda ponderal é sinal de alerta e pode apontar distúrbio motor esofágico; antes de definir cirurgia antirrefluxo, a propedêutica precisa ser completada com avaliação funcional.
C
Errada
Está errada por classificação incorreta do risco anestésico. Hipertensão arterial sistêmica controlada com medicação caracteriza doença sistêmica leve controlada, o que enquadra a paciente como ASA II, não ASA I.
D
Errada
Está errada porque perda ponderal involuntária de 10 kg em 6 meses, ainda mais acompanhada de disfagia, não pode ser tratada como manifestação banal da DRGE. Esse achado tem relevância clínica e nutricional no pré-operatório e exige valorização.
E
Errada
Está errada porque, no preparo para cirurgia antirrefluxo, anamnese e exame físico não substituem exames complementares. Neste caso, a presença de disfagia torna ainda mais necessária a avaliação anatômica e funcional do esôfago.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa segurança de uma endoscopia sem dificuldade de passagem do aparelho e a tendência de aceitar a refratariedade ao IBP como justificativa suficiente para operar, ignorando que a disfagia com perda ponderal obriga investigação de motilidade com manometria.
Dica para questões semelhantes
  • Em candidato à cirurgia antirrefluxo, disfagia muda a lógica da avaliação: primeiro exclua distúrbio motor esofágico com manometria.
  • EDA sem obstrução mecânica ou sem dificuldade de progressão do aparelho não afasta doença motora esofágica.
  • Refratariedade clínica pode justificar investigação para cirurgia, mas não substitui a propedêutica funcional quando há sinal de alarme.
  • Perda ponderal involuntária no pré-operatório deve ser valorizada; não a atribua automaticamente à DRGE.

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