Sobre o tratamento paliativo de primeira linha do carcinoma ...
Gabarito comentado
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Tema central: O tratamento paliativo de primeira linha do carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço recorrente ou metastático sofreu avanços significativos nos últimos anos, especialmente após o estudo KEYNOTE-048, que avaliou as combinações de pembrolizumabe (inibidor de checkpoint anti-PD-1) com quimioterapia e comparou-as à tradicional associação de quimioterapia (platina + 5-FU) e cetuximabe.
Justificativa da alternativa correta (C):
Segundo os dados do KEYNOTE-048, a combinação de pembrolizumabe + quimioterapia mostrou-se superior à associação de quimioterapia + cetuximabe para a população geral quanto à sobrevida global (SG). Entretanto, no subgrupo com expressão de PD-L1 <1%, essa superioridade não foi observada, não havendo diferença significativa — fato confirmado pelo Relatório CONITEC nº 919 e demais diretrizes internacionais. Fica claro, assim, que a expressão de PD-L1 é determinante na escolha do tratamento e na resposta ao imunoterápico.
Análise das alternativas incorretas:
A) Limita a superioridade do regime pembrolizumabe/quimioterapia apenas ao grupo com PD-L1 ≥20%. Erro: A superioridade foi demonstrada na população geral, não restrita a níveis específicos de PD-L1.
B) Afirma não inferioridade da monoterapia com pembrolizumabe independentemente do PD-L1. Erro: A eficácia de pembrolizumabe isolado está associada a score de PD-L1; resultados inferiores são vistos em pacientes PD-L1 negativo ou muito baixo. Volume tumoral pode orientar a escolha, mas não é critério absoluto.
D) Restringe benefício da monoterapia pembrolizumabe apenas a PD-L1 ≥50%. Erro: O benefício é mais consistente em scores mais altos de PD-L1, mas a decisão depende do contexto clínico, e o estudo não restringiu apenas a esse valor.
E) Propõe associação de pembrolizumabe + quimio + cetuximabe. Erro grave: Essa combinação não é recomendada por falta de estudos e por aumento de toxicidade sem benefício comprovado.
Dicas de prova: Atente-se à subpopulação avaliada pelos estudos e não confunda as diversas combinações terapêuticas. Termos como "apenas", "independente de" e valores de cutoff (ex: PD-L1 ≥20% ou 50%) costumam indicar possíveis pegadinhas.
Referências clínicas: O KEYNOTE-048 é a base mundial para essas decisões, constando dos principais protocolos nacionais e internacionais (CONITEC, NCCN, SBOC, UpToDate).
Conforme o Relatório de Recomendação nº 919 da CONITEC:
“O tratamento com pembrolizumabe foi menos eficaz que a associação de cetuximabe e quimioterapia apenas para o desfecho de SLP (...) para a população total do estudo KEYNOTE-048.”
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