Sobre o tratamento do carcinoma seroso de ovário de alto gra...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3193628 Medicina
Sobre o tratamento do carcinoma seroso de ovário de alto grau, estádio III, assinale a alternativa correta.  
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: manejo de primeira linha do carcinoma seroso de ovário de alto grau, estádio III, após resposta à quimioterapia baseada em platina, com foco nas estratégias de manutenção (PARP inibidores e bevacizumabe) e no papel da linfadenectomia.

Alternativa correta: C – Após 6 ciclos de carboplatina + paclitaxel, pacientes que respondem ao tratamento podem receber niraparibe como manutenção por até 3 anos, independentemente do status de BRCA. Evidência: estudo PRIMA demonstrou ganho significativo de PFS em toda a população, com maior magnitude em tumores HRD+, mas benefício também em HRD–. Diretrizes NCCN 2024/2025 e ESMO 2023/2024 recomendam niraparibe para manutenção de 1ª linha em pacientes com resposta à platina, independente de BRCA. Referências: UpToDate; González-Martín et al., N Engl J Med 2019.

Por que essa é a melhor escolha? Em doença estádio III sensível à platina, a manutenção com PARP inibidor reduz risco de progressão. Niraparibe é o único PARP com indicação ampla (sem necessidade de BRCA/HRD positivos) no cenário de manutenção pós-quimioterapia de 1ª linha.

Análise das incorretas

A) Nivolumabe não é padrão de manutenção em 1ª linha, mesmo em MSI-H (situação rara no ovário). Imunoterapia (ex.: pembrolizumabe) é aprovada de modo agnóstico para doença avançada/recorrente MSI-H/TMB alta, não como manutenção pós-quimioterapia inicial. Diretrizes NCCN/ESMO não recomendam essa estratégia.

B) “Dose densa” semanal de paclitaxel mostrou benefício em população japonesa (JGOG 3016), mas estudos ocidentais (ICON8 e GOG-0262) não confirmaram ganho de sobrevida global, com mais toxicidade. Logo, não há evidência de benefício de SG para pacientes ocidentais.

D) Linfadenectomia sistemática em doença avançada com linfonodos clinicamente negativos não traz benefício e aumenta morbidade. O estudo LION (não “LYON”) mostrou ausência de ganho de PFS/SG após citorredução completa em IIb–IV; recomenda-se ressecar apenas linfonodo suspeito/visivelmente comprometido (N Engl J Med 2019).

E) Combinação olaparibe + bevacizumabe em manutenção é indicada para HRD+ e quando o bevacizumabe foi usado com a quimioterapia (estudo PAOLA-1). Não é para todas as pacientes “independentemente de BRCA/HRD”. Além disso, o bevacizumabe é administrado por ~15 meses (não 2 anos); o olaparibe por até 2 anos.

Dicas de prova: - Atenção a expressões como “independente de BRCA” e “todas as pacientes”: verifique se há ensaio com benefício em população ampla (como PRIMA/niraparibe). - Cuidado com “linfadenectomia para todas”: lembre do LION. - Cheque duração correta de manutenção com PARP e bevacizumabe.

Fontes: NCCN Ovarian Cancer 2024/2025; ESMO 2023/2024; UpToDate; PRIMA, PAOLA-1, ICON8, GOG-0262, LION.

Gabarito: C

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo