“Quanto mais o algoritmo gostar de mim, maior sucesso terei ...

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Leia o texto a seguir para responder à questão.


A ditadura do algoritmo
Nossa dependência da ferramenta que decide sucesso nas redes.

Por Walcyr Carrasco
Publicado em 27 fev. 2022

Um amigo todo dia posta uma foto sem camisa em seu perfil no Instagram. Objetivo: conquistar likes e seguidores. É o que se chama de biscoiteiro. Certa vez, abri meu celular e vi outro amigo, eternamente desempregado, em um veleiro, confortável, como se fosse dele. Postou fotos assim por semanas a fio. Certamente foi convidado para passar só o dia. Fez uns 800 cliques, que alimentavam seu perfil. Queria ser notado pelo algoritmo. Esse senhor, o algoritmo do Instagram, seleciona a exposição dos posts. De sua decisão, é obvio, depende o grau de adesão. Claro que ele leva em conta o interesse pelos posts, o grau de engajamento — likes e comentários — e vários fatores misteriosos. O algoritmo é uma ferramenta da inteligência artificial. Capaz de analisar meu histórico, trajetória, interesse, e por aí em diante. Quanto mais o algoritmo gostar de mim, maior sucesso terei no Instagram. Seu coração (embora não deva ter um) é tudo, menos óbvio. A cada instante descubro que existe alguém famoso que eu nem conheço, mas com milhões de seguidores. Seu segredo? Seduzir o dito-cujo. O império do algoritmo é tão poderoso que até Caetano Veloso fez uma música, Anjos Tronchos, falando a respeito dele.
Ter seguidores é uma mina de ouro. Quanto mais o perfil tem, maior o número de ações publicitárias. Já percebi: o algoritmo dita como as pessoas devem ser. Simpáticas, divertidas, sexy, sábias, elegantes… mas é tudo mentira, na maior parte das vezes. Quem faz sucesso tem equipes encarregadas de analisar as preferências do público no Instagram e fortalecer comportamentos de sucesso. E aí acontece essa loucura: advogado dando receita de bolo, dentista dando dicas de maquiagem masculina, “instas” especializados em fofoca, gente contando como foi estar em coma ou cachorrinhos e gatinhos fofinhos (que o algoritmo ama). Horror! Me aconselharam: “Fale mais sobre televisão”; “Conte da sua vida pessoal”; “Leia poesias”. Só que não tenho talento para virar um site de fofocas televisivas (nem seria ético), falar da minha vida ou mesmo vocação para ler poesias. Irritado, o senhor algoritmo me trata mal.
“A solução é fazer dancinha no Reels.” Ui! Permaneço em minhas fronteiras. Muitas vezes, ele elimina a publicação de alguém, o que é o terror dos terrores. Ameaça excluir a conta. Embora eu não viva do Instagram, morro de medo de isso acontecer. Como sobreviver sem um post, sem olhar o feed, os stories? (Amigos se ofendem se não confiro, mesmo se o algoritmo é que não tenha me deixado ver.) A vida social, os relacionamentos, tudo isso hoje depende das redes sociais. Tem mais. O algoritmo já saiu do Instagram. Agora ele permeia toda uma série de relações humanas. Interfere. Muitas vezes, estou conversando e, de repente, a pessoa me agarra e faz um vídeo, pensando que minha imagem vai agradar o algoritmo de suas próprias redes. Já vi acontecer até em namoro. O casal vai se beijar. Os dois agarram os celulares, fotografam e postam. É isso aí. Não existe mais relação a dois. O novo triângulo amoroso é com o algoritmo. Tome cuidado. É melhor ser simpático com ele.


Adaptado
https://veja.abril.com.br
“Quanto mais o algoritmo gostar de mim, maior sucesso terei no Instagram.” 1º§
Esse período composto é iniciado por uma oração 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Classificação das orações subordinadas adverbiais. Esta questão testa seus conhecimentos sobre relações de sentido entre orações, mais especificamente a identificação de oração subordinada adverbial proporcional.

Explicação do raciocínio:

O período analisado — “Quanto mais o algoritmo gostar de mim, maior sucesso terei no Instagram.” — é formado por duas orações:

  • Oração subordinada: Quanto mais o algoritmo gostar de mim
  • Oração principal: maior sucesso terei no Instagram

A subordinada inicia com a expressão “quanto mais”, que, segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), introduz orações proporcionais, expressando relação de proporcionalidade: quanto mais “A”, mais “B” (ou seja, à medida que algo aumenta ou diminui, outro elemento cresce ou decresce proporcionalmente).

Justificativa da alternativa correta:

Alternativa C) subordinada adverbial proporcional: Correta, pois a oração subordinada expressa uma relação de aumento proporcional com a principal.

Por que as outras alternativas estão INCORRETAS?

  • A) Conformativa: Expressam conformidade, introduzidas por “conforme”, “segundo”. Não há sentido de acordo no exemplo.
  • B) Comparativa: Indicam comparação (usando “como”, “tanto quanto”). O trecho não compara, mas relaciona crescimento ou diminuição simultâneos.
  • D) Subordinada substantiva predicativa: Tem função de predicativo do sujeito e é uma estrutura substantiva, não adverbial.
  • E) Subordinada substantiva subjetiva: Desempenha o papel de sujeito na principal, o que não ocorre aqui.

Dicas e estratégia:

Ao se deparar com construções como “quanto mais”, “quanto menos”, “à medida que”, associe imediatamente à proporcionalidade. Isso reduz o risco com pegadinhas envolvendo comparativas ou conformativas, que têm conectivos bem diferentes!

Em resumo: a escolha da alternativa correta requer atenção aos conectivos e ao sentido de adição proporcional entre as partes da frase. Assim, você resolve não apenas esta, mas outras questões similares!

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