Existem diferentes sistemas de classificação da Infecção do...

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Q3547481 Medicina
Existem diferentes sistemas de classificação da Infecção do Trato Urinário (ITU). O mais amplamente utilizado é aquele desenvolvido pelos Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA) e Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ESCMID). Em casos de ocorrência de dois episódios de ITU em seis meses ou três nos últimos 12 meses, com confirmação com urocultura, a infecção é classificada como:
Alternativas

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Tema central: Classificação da Infecção do Trato Urinário (ITU) por frequência de episódios. Quando há ≥2 episódios em 6 meses ou ≥3 em 12 meses, com confirmação por urocultura, trata-se de infecção recorrente do trato urinário.

Alternativa correta: D – Infecção recorrente do trato urinário

Justificativa: Este é o critério amplamente aceito por diretrizes como IDSA/ESCMID e adotado por revisões do UpToDate e AUA/EAU para definir ITU recorrente. Exige confirmar cada episódio por urocultura, reforçando que não é apenas frequência de sintomas. Trata-se de um padrão de repetição, independente de ser complicada ou não complicada. Referências: IDSA (guidelines de cistite aguda e ASB), EAU Guidelines on Urological Infections, UpToDate, Harrison’s.

Análise das alternativas incorretas

A – ITU complicada: “Complicada” refere-se a condições do hospedeiro ou do trato urinário que aumentam risco de falha terapêutica (ex.: obstrução, cateter, rim transplantado, urolitíase, gravidez, imunossupressão, sexo masculino, anomalias estruturais). Não depende do número de episódios. Uma ITU pode ser complicada e recorrente, mas a pergunta cobra a classificação por frequência.

B – Urossepse: Sepsis de foco urinário exige disfunção orgânica por infecção (qSOFA/SOFA, hipotensão, lactato elevado). Não é definida por recorrência, mas por gravidade sistêmica. Ausência desses critérios afasta urossepses.

C – Bacteriúria assintomática: Cultura positiva sem sintomas urinários (tipicamente ≥105 UFC/mL; em mulheres, duas culturas consecutivas). Não é “infecção” clínica e não se relaciona a número de episódios. Tratamento é restrito a gestantes e procedimentos urológicos invasivos (IDSA 2019).

E – ITU não complicada: Infecção em mulher saudável, não gestante, sem anormalidades urológicas. Define tipo de ITU pelo hospedeiro, não pela frequência. Pode ser única ou recorrente.

Como interpretar em provas

  • Grave as “chaves”: 2 em 6 meses ou 3 em 12 meses + urocultura → ITU recorrente.
  • Não confunda recorrente (frequência) com complicada/não complicada (características do hospedeiro).
  • Sepsis é gravidade; ASB não tem sintomas.

Dicas práticas (conduta resumida em recorrência) (AUA/EAU/UpToDate): confirmar por cultura; orientar ingestão hídrica, micção pós-coito; considerar profilaxia pós-coital ou em baixa dose contínua em casos selecionados; estrogênio vaginal em pós-menopausa; investigar fatores predisponentes (litíase, refluxo, cateter).

Gabarito: D – Infecção recorrente do trato urinário.

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