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Q1276059 Português
A cidade acordou mais cedo.

Primeiro foram os fogos. E ainda não eram seis da manhã. Depois os tiros. Em seguida, os voos de helicóptero. Assim amanheceu a Rocinha neste sábado. Por esse motivo, na favela e nos bairros que a contornam, como um abraço dos aflitos, não se pode dizer que seja sábado, dia de descanso.

Os helicópteros vêm e vão nesse sobrevoo que parece meio sem sentido. A cidade não pode descansar há muito. É sempre guerra em algum ponto. Leio nos jornais de hoje que a Urca também tem guerra de facções. Urca costumava ser deixada de lado nessa insana conquista de territórios, porque sempre foi bairro dos militares e alguns poucos privilegiados civis que conseguiram uma casa no belo e aconchegante bairro. Fui lá outro dia, comi uma caldeirada de frutos do mar, iguaria sem competidor, e olhei o Rio depois da água. É bela a vista de lá, como de resto, a cidade por natureza e destino continua linda. E cada vez mais à deriva, no seu próprio mar de baía.

Hoje, com a confusão na Rocinha, a Zona Sul acordou mais cedo. Ou não, diria Caetano, um dos seus ilustres moradores. A Zona Sul pode ter se acostumado depois de tantos anos de conflito na área conturbada, ou pode ter escolhido abafar o ruído da realidade atrás dos fones de ouvido.

O Rio é como um belo navio onde navegamos todos juntos, não importa qual seja a classe social. Ou nos salvamos juntos ou afundaremos. Há quem creia que a embarcação já aderna cansada de guerra. Nas mazelas do Brasil, coube a esta cidade intensa e bela viver em seu corpo a geografia das desigualdades. Somos todos vizinhos. Chapéu Mangueira entra em ebulição e o Leme fica trancado em casa, sem ter como sair e viver a vida naquela ponta bonita do mar de Copacabana. A Rocinha em disputa afeta um arco de bairros. Do lado de cá a Gávea, do lado de lá São Conrado. Outro dia, o Fallet-Fogueteiro acordou encrencado e fecharam-se as portas do bonito casario colonial de Santa Teresa que, ademais, há muito vive cercado.

Por sermos todos vizinhos, pelo menos o Rio não pode repetir o alienado e perverso enredo do Titanic de trancar os pobres e tentar salvar a primeira classe. A cidade é partida sim, mas é como uma grande casa de quartos contíguos. A fortuna separa, contudo a tragédia é compartilhada. Os fogos, tiros e voos desta manhã provam que não haverá futuro para o Rio que não seja comum. Pensamentos terminais e aflitos para um sábado que seria de descanso, se possível fosse.

https://g1.globo.com - Miriam Leitão - junho/18
Em todas as opções, foi observada a regência dos verbos, exceto em:
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Tema central: Regência Verbal

A regência verbal é o estudo das relações entre o verbo e seus complementos, definindo se há necessidade de preposição antes do termo regido. Este tema é recorrente em concursos para o cargo de Professor de Língua Portuguesa, pois exige conhecimento das especificidades da norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (A):

A frase “As pessoas assistem sobrevoos de helicópteros na Rocinha.” está incorreta quanto à regência. O verbo “assistir”, no sentido de “ver” ou “presenciar”, é transitivo indireto e exige a preposição “a”: “assistir aos sobrevoos de helicópteros”.

Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) e Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), deve-se empregar a preposição “a” após o verbo quando utilizado neste sentido. Ou seja, pela norma-padrão:

“Ontem, assistimos ao espetáculo.”
“Eles assistiram aos jogos.”

Análise das alternativas incorretas:

B) “A autora lembrou aos leitores o enredo do Titanic.” – Correta.
“Lembrar”, nesse contexto, é transitivo direto e indireto: lembrar (algo) a (alguém). Estrutura de acordo com a norma: lembrar aos leitores (objeto indireto) o enredo (objeto direto).

C) “Custa-me acreditar nessa situação do Rio de Janeiro.” – Correta.
Quando “custar” equivale a “ser difícil”, pede preposição “a”: “custa a acreditar”. Entretanto, com o pronome “me”, está dispensada a preposição, conforme a norma-padrão.

D) “Os turistas que chegam ao Rio costumam visitar Copacabana.” – Correta.
O verbo “visitar” é transitivo direto, portanto não requer preposição: visitar alguém ou algo.

Estratégias para provas e pegadinhas:

Fique atento ao sentido do verbo. Muitos, como “assistir”, “obedecer”, “visar”, mudam de regência conforme o significado. Outra armadilha comum é esquecer a preposição exigida, sobretudo em frases com verbo no sentido figurado ou menos usual.

Conclusão: O erro está na alternativa A, por não observar a regência do verbo “assistir”.

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Comentários

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Gabarito: A

✓ As pessoas assistem sobrevoos de helicópteros na Rocinha.

➥ INCORRETO. O verbo "assitir" com sentido de "ver/olhar" é transitivo indireto e rege um complemento iniciado pela preposição "a" (=a sobrevoos). 

➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!

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