Paciente de 56 anos, hipertenso (em uso de losartana), procu...

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Q2368515 Medicina
Paciente de 56 anos, hipertenso (em uso de losartana), procura atendimento médico por aumento do ácido úrico. Segundo informa, tem um irmão (69 anos) com história de urolitíase. Nega história de litíase ou artralgias. Ao exame físico, apresentava-se em BEG, IMC 32 kg/m², ausência de anormalidades articulares ou presença de tofos, sendo o restante do exame dentro dos limites da normalidade. Exames trazidos pelo paciente ácido úrico: 7,3 mg/dL (VN 2,5-7,0); US de aparelho urinário sem anormalidades. 
Diante da presença de hiperuricemia assintomática, qual a opção de tratamento inicial? 
Alternativas

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Tema central: Hiperuricemia assintomática é a elevação do ácido úrico sérico sem crises de gota, tofos ou litíase. A conduta padrão é não iniciar terapia urato-redutora, focando em medidas de estilo de vida e revisão de fatores de risco.

Alternativa correta: D – Não deve ser tratado. Racional: o paciente tem ácido úrico de 7,3 mg/dL, sem artralgias, tofos ou cálculo renal e já usa losartana (efeito uricosúrico). Diretrizes ACR 2020 e EULAR 2016/2023 recomendam contra iniciar fármacos urato-redutores em hiperuricemia assintomática, pois não há benefício clínico comprovado e existem riscos de efeitos adversos. A conduta é monitorar e intervir no estilo de vida (perda de peso, reduzir álcool — especialmente cerveja — e frutose, dieta equilibrada) e revisar drogas que elevam urato (diuréticos tiazídicos/ansa). (Refs.: ACR 2020; EULAR 2016/2023; UpToDate; Harrison’s)

Análise das incorretas

A – Colchicina 1,2 mg/dia: Colchicina é para crise de gota ou profilaxia ao iniciar urato-redutor. Não reduz ácido úrico e não tem indicação na hiperuricemia assintomática. Risco de diarreia, mielotoxicidade e interações.

B – Alopurinol 100 mg/dia e C – Alopurinol 50 mg/dia: Alopurinol é primeira linha para gota quando há indicação (crises recorrentes, tofos, dano radiográfico, urolitíase por ácido úrico, ou algumas situações de nefropatia por urato). Aqui não há critérios. Expor o paciente a síndrome de hipersensibilidade ao alopurinol (rara, grave) sem benefício é inadequado. Dose de 50 mg apenas em DRC avançada ao iniciar; mesmo assim, não indicado neste caso.

E – Encaminhar para UTI: Não há instabilidade clínica, dor, infecção, insuficiências orgânicas ou complicações agudas. Totalmente incompatível com o quadro.

Estratégia para a prova: identifique as ausências cruciais (sem crises de gota, sem tofos, sem cálculo). Não trate exame, trate o paciente. História familiar de litíase não é indicação de urato-redutor. Valor limítrofe (7,3 mg/dL) reforça conduta conservadora.

Conduta prática: reforçar perda ponderal (IMC 32), manter losartana, orientar dieta, reduzir álcool/cerveja e bebidas açucaradas, considerar reavaliação periódica do ácido úrico e risco cardiovascular. Urgência apenas se surgirem gota ou litíase.

Referências essenciais: ACR Guideline for the Management of Gout (2020); EULAR Recommendations for Gout (2016, atualização 2023); UpToDate – Asymptomatic hyperuricemia; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D

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Comentários

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A alternativa D - Não deve ser tratado, é a resposta correta para esta questão. O paciente descrito apresenta-se com hiperuricemia, que é definida por um nível elevado de ácido úrico no sangue. Entretanto, trata-se de uma hiperuricemia assintomática, já que o paciente não apresenta história de litíase renal (formação de cálculos renais) ou artralgias (dores articulares), que poderiam sugerir gota, nem exibe sinais físicos de tofos (depósitos de cristais de urato). O manejo adequado da hiperuricemia assintomática, na ausência de outras complicações como nefropatia por ácido úrico ou histórico de gota, normalmente não inclui a terapia medicamentosa. A recomendação usual abarca mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma dieta balanceada, redução do consumo de álcool e controle do peso. As opções A e B envolvem medicação para tratamento de gota aguda e crônica, respectivamente, que não são indicadas neste caso. A opção C sugere uma dose baixa de alopurinol, que também é desnecessária sem manifestações clínicas. A opção E é completamente inadequada, pois não há emergência médica que justifique encaminhamento para UTI. Portanto, o paciente com hiperuricemia assintomática normalmente não requer tratamento medicamentoso específico para reduzir o ácido úrico.

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