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Q2368514 Medicina
Sobre o tratamento de hipotireoidismo, assinale a alternativa correta. 
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Tema central: Tratamento do hipotireoidismo com levotiroxina: escolha da dose inicial, interferências na absorção e diferenças entre hipotireoidismo primário e central.

Gabarito – Correta: C. Em pacientes com doença coronariana (DAC), a levotiroxina deve ser iniciada em doses baixas (geralmente 12,5–25 µg/dia) e titulada a cada 4–6 semanas, monitorando sintomas e TSH (no primário). Racional: a reposição acelera o metabolismo e pode precipitar angina, arritmias ou IAM. Diretrizes da American Thyroid Association (ATA) e UpToDate recomendam “start low, go slow” em idosos e/ou portadores de DAC.

Análise das incorretas:

A. Não há evidência de que a levotiroxina em >65 anos reduza eventos cardiovasculares, especialmente no hipotireoidismo subclínico (ex.: estudo TRUST). A reposição visa normalizar T4L/TSH e sintomas; benefícios duros cardiovasculares não foram comprovados nessa população. (ATA 2014; UpToDate; Harrison’s)

B. Falso: a biodisponibilidade da levotiroxina é reduzida por alimentos. Orienta-se uso em jejum, 30–60 min antes do café da manhã ou 3–4 h após a última refeição. Interferem também cálcio, ferro, antiácidos, resinas, soja e fibras; IBPs podem reduzir absorção. (ATA/AACE)

D. Falso: no hipotireoidismo central o TSH é baixo ou inapropriadamente normal com T4 livre baixo. O TSH pode estar levemente elevado, porém biologicamente ineficaz. Logo, o diagnóstico não é “TSH alto + T4L baixo”. Nesses casos, monitora-se T4 livre (e não TSH) e deve-se avaliar eixo hipófise-hipotálamo; descartar insuficiência adrenal antes de iniciar levotiroxina. (Harrison’s; UpToDate; ATA)

E. Incorreta porque a alternativa C está correta.

Condutas-chave para prova:

- Dose inicial: adultos jovens e sem DAC podem iniciar 1,6 µg/kg/dia; idosos/DAC: 12,5–25 µg/dia com titulação lenta.

- Monitorização: reavaliar TSH (primário) em 6–8 semanas; alvo individualizado. No central, ajustar pela meta de T4L no terço médio-superior da normalidade.

- Absorção: jejum e evitar fármacos/alimentos quelantes próximos da dose.

Pegadinhas (fique atento!):

- “TSH alto” não define hipotireoidismo central; pense em T4L baixo com TSH inapropriado.
- “Alimento não afeta” é armadilha: afeta sim, e muito.
- Em DAC, nunca iniciar com dose plena.

Referências essenciais: ATA Guidelines for Hypothyroidism (2014); UpToDate – Treatment of hypothyroidism; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

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A questão aborda o tratamento do hipotireoidismo, que é uma condição clínica resultante da deficiência na produção de hormônios pela glândula tireoide. A alternativa correta é a letra C, que afirma que pacientes com hipotireoidismo e doença coronariana devem receber inicialmente doses menores de levotiroxina. Este enfoque cauteloso é adotado porque a introdução súbita e em altas doses de levotiroxina (um hormônio sintético utilizado para substituir o hormônio tireoidiano faltante) pode aumentar o risco de eventos cardíacos adversos, como angina ou infarto do miocárdio, especialmente em pacientes com doença cardíaca preexistente. Isso ocorre porque o hormônio tireoidiano pode aumentar a demanda de oxigênio do miocárdio e a frequência cardíaca. Portanto, em pacientes com doença coronariana, recomenda-se iniciar com doses baixas e aumentar gradualmente, monitorando a resposta do paciente e ajustando a dose conforme necessário. As demais alternativas estão incorretas: a letra A é falsa porque não há evidências suficientes que comprovem que a levotiroxina possa diminuir eventos cardiovasculares em idosos; a letra B é incorreta porque a biodisponibilidade da levotiroxina é sim afetada pela ingestão concomitante de alimentos e outros medicamentos; e a letra D é falsa porque o hipotireoidismo central (secundário ou terciário) é caracterizado por TSH inapropriadamente normal ou baixo, com baixos níveis de T4 livre.

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