Um paciente de 62 anos foi submetido a cateterismo cardíaco ...

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Q3947040 Medicina
Um paciente de 62 anos foi submetido a cateterismo cardíaco devido à angina instável de alto risco. Durante o procedimento, ocorreu dissecção iatrogênica de coronária direita. O médico assistente opta por não informar o paciente e seus familiares sobre a intercorrência, pois, segundo ele, “não queria causar preocupação para a família e para o paciente”. Segundo o Código de Ética Médica, a atitude do médico foi 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A omissão deliberada de intercorrência iatrogênica relevante viola o dever ético de informar o paciente e afronta a autonomia e a veracidade; por isso, a conduta descrita é antiética e a alternativa C é a correta.

Tema central: Dever de informar intercorrência
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque registro em prontuário e informação ao paciente são deveres distintos. Documentar a complicação é obrigação assistencial e de rastreabilidade, mas não substitui o esclarecimento ao paciente sobre intercorrência relevante ocorrida no procedimento.
B
Errada
Está errada porque a intenção subjetiva de proteger emocionalmente o paciente e a família configura paternalismo injustificado quando usada para ocultar complicação iatrogênica relevante. Pelo critério ético aplicado, prevalecem veracidade e autonomia do paciente.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a dissecção iatrogênica é fato assistencial material, com impacto na compreensão do risco, do prognóstico, do seguimento e de eventuais decisões subsequentes. Omitir essa intercorrência viola o dever de informação adequada, rompe a veracidade na relação médico-paciente e impede o exercício da autonomia. A justificativa de “evitar preocupação” não afasta esse dever ético, porque paternalismo não autoriza suprimir informação relevante do próprio cuidado.
D
Errada
Está errada porque a infração ética decorre da omissão deliberada da intercorrência, e não do desfecho final do procedimento. O dever de informar nasce do evento relevante ocorrido, mesmo que o resultado clínico posterior seja favorável.
E
Errada
Está errada porque comunicação apenas à auditoria do hospital é fluxo institucional complementar e não cumpre o núcleo do dever ético-assistencial. A transparência deve alcançar o paciente e, quando cabível, familiares ou representante, não apenas a estrutura administrativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre boa intenção, registro burocrático ou comunicação interna e o verdadeiro dever ético: informar ao paciente uma complicação iatrogênica relevante, independentemente do desfecho final.
Dica para questões semelhantes
  • Se houve intercorrência relevante no cuidado, pense primeiro em dever de informação ao paciente, não apenas em registro documental.
  • Não aceite paternalismo emocional como justificativa automática para ocultar fato assistencial material.
  • Separe comunicação institucional interna de comunicação ética ao paciente: uma não substitui a outra.
  • Em ética médica, o dever de informar decorre do evento relevante em si, não apenas da existência de dano final.

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