Portugal aprovou mudanças legais "que" restringem mecanismo...

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Q4192999 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que cada vez mais brasileiros deixam Portugal e recomeçam na Espanha


O brasileiro Paulo Geronimo espera ser beneficiado pelo processo extraordinário de regularização iniciado na Espanha em abril, voltado a imigrantes que já vivem no país. Após sete anos em Portugal, ele se mudou com a família para a Espanha em 2025.

Apesar de ter regularizado sua situação em Portugal, Paulo afirma que passou a perceber maior hostilidade contra brasileiros, além de considerar os salários espanhóis mais atrativos. Com experiência como motorista de caminhão, conseguiu promessa de contrato de trabalho e desenvolve um aplicativo voltado ao setor de transporte.

A Espanha adota um discurso mais favorável à imigração e políticas voltadas à integração dos estrangeiros, diferentemente de Portugal, que abriga a maior comunidade brasileira da Europa. Somado ao crescimento econômico espanhol, esse cenário ajuda a explicar o aumento do interesse de brasileiros pela mudança.

Nos últimos meses, cresceram os grupos virtuais com orientações sobre migração para a Espanha, especialmente em regiões de fronteira. O movimento envolve tanto imigrantes irregulares quanto pessoas já regularizadas.

Uma professora universitária aposentada decidiu deixar o norte de Portugal e mudar-se com a família para a Espanha, relatando aumento da hostilidade contra imigrantes e sobrecarga dos serviços públicos portugueses. Seu marido aguardava havia dois anos a renovação do visto de residência.

Dados oficiais indicam crescimento acelerado da comunidade brasileira na Espanha nos últimos anos, com milhares de novos registros apenas no último trimestre analisado.

Embora a regularização extraordinária beneficie apenas pessoas que já estavam na Espanha até o final de 2025, o interesse pela mudança também decorre do endurecimento das regras migratórias portuguesas e da busca por melhores condições de vida.

Portugal aprovou mudanças legais que restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar e ampliam o tempo necessário para solicitação de cidadania portuguesa. Especialistas observam que o país abandonou um dos modelos migratórios mais flexíveis da Europa.

Além disso, cresceram os registros de discriminação e hostilidade contra imigrantes. Pesquisas apontam aumento da percepção negativa sobre brasileiros, enquanto casos de preconceito ganharam maior visibilidade.

Analistas relacionam as diferenças entre Portugal e Espanha às orientações políticas dos governos atuais. Enquanto a Espanha mantém discurso mais favorável à imigração, Portugal passou a adotar postura mais restritiva.

Outro fator importante é o impacto proporcional da imigração. Embora a Espanha tenha recebido mais imigrantes em números absolutos, o crescimento populacional relativo foi mais intenso em Portugal, pressionando serviços públicos.

Na Espanha, o governo apresenta a imigração como solução para problemas estruturais, como envelhecimento populacional e falta de mão de obra. Especialistas destacam que parte do crescimento econômico espanhol recente está associada à imigração, além de os salários serem superiores aos portugueses.

A regularização extraordinária integra um conjunto de medidas voltadas à integração dos imigrantes, incluindo facilitação do reconhecimento de diplomas e ampliação do acesso à saúde pública.

Especialistas observam que a Espanha possui um mercado informal capaz de absorver trabalhadores estrangeiros, contribuindo para o elevado número de imigrantes irregulares. O novo processo permite acelerar o acesso à residência e ao trabalho formal.

O governo argumenta que a medida atende a uma necessidade social e econômica, enquanto críticos afirmam que ela pode incentivar novas entradas irregulares. Pesquisas sobre regularizações anteriores, porém, indicam aumento do emprego formal e da arrecadação sem crescimento significativo da imigração irregular.

Estudiosos destacam que os fluxos migratórios resultam de fatores diversos, como crises econômicas, violência, oportunidades de trabalho e políticas migratórias internacionais.

Embora exista debate sobre imigração na Espanha, o tema ainda provoca menos polarização do que em Portugal. Pesquisas mostram que a questão não figura entre as principais preocupações da população espanhola.

Especialistas concluem que, apesar das mudanças políticas e das oscilações entre maior abertura ou restrição, a Europa continuará necessitando de trabalhadores estrangeiros para sustentar sua economia. Ainda assim, recomendam que a migração ocorra preferencialmente por vias legais, reduzindo riscos e vulnerabilidades.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyp7k85l1po.adaptado.
Portugal aprovou mudanças legais "que" restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar [...].

Assinale a alternativa correta quanto à classificação da palavra "que" no contexto da frase. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em "Portugal aprovou mudanças legais \"que\" restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar [...].", o critério decisivo é que "que" retoma o antecedente expresso "mudanças legais" e introduz uma oração que caracteriza esse nome; além disso, dentro da subordinada, exerce função sintática, como em "mudanças legais as quais restringem..., dificultam...". Consequência: trata-se de pronome relativo em oração subordinada adjetiva restritiva.

Tema central: pronome relativo que
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque "que" não apenas liga orações: ele recupera o sintagma nominal anterior "mudanças legais" e introduz uma oração que especifica quais mudanças são essas. Esse valor é adjetivo, pois a oração caracteriza o antecedente, e não substantivo. Como há antecedente expresso e função sintática de "que" no interior da oração subordinada, a classificação adequada é pronome relativo.
B
Errada
Está errada porque "que" não é elemento de realce dispensável. No trecho, ele é necessário para retomar "mudanças legais" e para introduzir a oração subordinada que caracteriza esse antecedente. Partícula expletiva não retoma antecedente nem exerce função sintática; aqui há exatamente essa retomada.
C
Errada
Está errada porque a oração introduzida por "que" não completa o verbo "aprovou" como oração substantiva. O núcleo verbal da principal já tem seu complemento em "mudanças legais"; a sequência iniciada por "que" passa a caracterizar esse nome. Portanto, não é conjunção integrante, mas estrutura de valor adjetivo com antecedente nominal expresso.
D
Errada
Está errada porque "que" não estabelece coordenação entre orações independentes. A oração introduzida por ele depende sintaticamente de "mudanças legais", formando uma subordinada adjetiva. A ideia de adição aparece apenas entre os verbos "restringem" e "dificultam" dentro da oração relativa, não na classificação de "que".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre todo "que" ligador de orações e conjunção integrante. Aqui, o ponto que resolve é observar o antecedente expresso "mudanças legais": como "que" o retoma e caracteriza, não pode ser nem integrante, nem expletivo, nem coordenativo.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de classificar "que", procure se há um antecedente nominal expresso imediatamente antes dele.
  • Verifique se a oração introduzida por "que" caracteriza um nome ou completa um verbo: nome caracterizado aponta para pronome relativo; verbo completado aponta para conjunção integrante.
  • Teste se "que" pode ser entendido como "o qual", "a qual", "os quais", "as quais" sem quebrar a estrutura; isso confirma valor de pronome relativo.

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