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Q4154105 Medicina
Leia o texto a seguir.

Um histórico médico preciso é a informação mais útil que um clínico pode ter enquanto decide se um paciente pode realizar o tratamento dentário planejado de modo seguro. O cirurgião-dentista também deve estar preparado para prever de que modo um problema médico pode alterar a resposta do paciente em relação aos agentes anestésicos necessários e à cirurgia. Se o histórico for obtido com sucesso, o exame físico e a avaliação laboratorial de um paciente geralmente desempenham papéis secundários na avaliação pré-operatória.

Tendo em vista a condição sistêmica e sua influência nas decisões clínicas, para o pré-operatório de um paciente deve-se considerar que:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na revisão cardiovascular pré-operatória, deve-se investigar sintomas de isquemia, arritmia/síncope e insuficiência cardíaca; no caso, a alternativa A contempla esses achados e, por isso, é a correta.

Tema central: Anamnese cardiovascular pré-operatória
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve exatamente os sintomas que precisam ser investigados em paciente com cardiopatia isquêmica no pré-operatório odontológico. Dor ou desconforto no peito em esforço, após refeições ou em repouso rastreia isquemia miocárdica; palpitações e desmaios apontam para arritmia ou instabilidade elétrica; inchaço de tornozelo sugere insuficiência cardíaca. Esses dados são relevantes porque modificam a estratificação de risco e a segurança do procedimento.
B
Errada
Está errada porque transforma IAM prévio em regra fixa de adiamento de 1 ano para qualquer procedimento cirúrgico programado, inclusive simples e sem ansiedade significativa. Isso contraria o critério clínico correto, que depende do tempo desde o evento, da estabilidade clínica e do porte/estresse do procedimento. O erro é impor uma restrição temporal universal onde a avaliação deve ser individualizada pelo risco cardiovascular atual.
C
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, marca-passo não é contraindicação geral à cirurgia bucal. Segundo, o uso de marca-passo, por si só, não é indicação de profilaxia antibiótica para procedimentos odontológicos. O erro médico é confundir dispositivo cardíaco implantável com condição de risco que justificaria profilaxia para endocardite e, além disso, afirmar proibição cirúrgica sem base.
D
Errada
Está errada porque trata a asma como contraindicação absoluta ao óxido nitroso. Pela base, o óxido nitroso não é universalmente contraindicado em asmáticos; em paciente estável, pode inclusive ser útil para reduzir ansiedade, que é gatilho de broncoespasmo em alguns casos. A restrição é contextual, como em crise aguda ou comprometimento respiratório importante, e não pelo diagnóstico de asma isoladamente.
Pegadinha da questão
A banca mistura uma alternativa simples de semiologia correta com opções que parecem prudentes por excesso de cautela, mas que erram por generalização indevida: adiar todo procedimento por 1 ano após IAM, indicar antibiótico por marca-passo e contraindicar óxido nitroso para todo asmático.
Dica para questões semelhantes
  • Em avaliação pré-operatória odontológica, procure primeiro sintomas atuais de instabilidade, não apenas o nome da doença prévia.
  • Desconfie de alternativas que usem termos absolutos como "sempre", "contraindicado" ou prazos fixos universais sem considerar estabilidade clínica e contexto do procedimento.
  • Marca-passo isoladamente não equivale a indicação de profilaxia para endocardite nem a proibição de cirurgia bucal.
  • Asma estável não torna o óxido nitroso automaticamente proibido; o estado respiratório atual é o critério relevante.

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Comentários

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Alternativa A: Correta Na revisão dos sistemas de um paciente com história de doença isquêmica do coração (como angina de peito), o cirurgião-dentista deve incluir perguntas ativas sobre desconforto no peito (durante o esforço, refeições ou momentos de descanso), bem como a presença de palpitações, desmaios e inchaço nos tornozelos. Tais perguntas ajudam o profissional a decidir se realizará a cirurgia com segurança ou se precisará alterar os métodos anestésicos e cirúrgicos.

Alternativa B: Incorreta Em geral, recomenda-se que procedimentos cirúrgicos maiores programados sejam adiados por, pelo menos, 6 meses após o infarto agudo do miocárdio (e não um ano). Além disso, cirurgias bucais mais simples podem ser realizadas mesmo antes desses 6 meses, desde que o procedimento não provoque ansiedade significativa e o paciente tenha tido uma recuperação sem intercorrências (podendo requerer liberação médica).

Alternativa C: Incorreta Os marca-passos não apresentam contraindicações à cirurgia bucal e não há evidências que mostrem a necessidade de profilaxia antibiótica nesses pacientes. Apenas equipamentos elétricos como o eletrocautério e o micro-ondas não devem ser usados perto do paciente.

Alternativa D: Incorreta Ao contrário do que a afirmativa propõe, mostra-se seguro prescrever óxido nitroso para pessoas com asma, sendo ele especialmente indicado para pacientes que têm crises de asma provocadas por ansiedade, pois além de reduzir o estresse, o óxido nitroso pode promover alguns efeitos broncodilatadores leves.

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