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Q3915621 Português
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Sob o sul de Paris, existe um ossuário subterrâneo conhecido como Catacumbas de Paris, formado a partir de antigas pedreiras de calcário que abasteceram a cidade por séculos. O espaço ficou célebre não por ser um cemitério “construído do zero”, mas por reaproveitar uma infraestrutura já aberta no subsolo, que precisou ser monitorada e consolidada para evitar desabamentos e instabilidades nas vias públicas.

A origem do ossuário está ligada a um problema urbano concreto: a superlotação e a insalubridade de cemitérios centrais, em especial após o fechamento do Cemitério dos Santos Inocentes (Les Innocents) no fim do século XVIII. A transferência de restos mortais para as antigas pedreiras foi institucionalizada e o local foi consagrado como ossuário municipal em 7 de abril de 1786, marco que consolidou o uso funerário dessas galerias.

O que hoje se visita é apenas uma fração de um conjunto subterrâneo maior. Nas áreas abertas ao público, os ossos foram organizados de maneira deliberada, formando paredes e composições que combinam ordem, inscrição e memória coletiva. Ao mesmo tempo, a denominação “catacumbas” foi adotada por referência às catacumbas romanas, que já fascinavam o imaginário europeu, embora o caso parisiense tenha nascido de uma necessidade sanitária e administrativa. 

No início do século XIX, o espaço passou a ser também um local de visitação controlada, e há registro de abertura ao público a partir de 1809, ainda que com regras e limitações. Essa passagem de “infraestrutura funerária” para “patrimônio visitável” reforçou o caráter ambíguo do lugar: ao mesmo tempo em que preserva restos humanos, ele também se tornou parte da história cultural da cidade e de sua relação com a morte e a urbanização.

Além do impacto histórico, as catacumbas seguem sendo objeto de interesse científico, justamente por reunirem um acervo humano de longa duração e por exporem camadas de práticas funerárias, saúde pública e transformações urbanas. Estudos recentes passaram a tratar o ossuário como fonte para compreender padrões de doença, condições de vida e episódios sanitários do passado, extraindo informações a partir de análises de ossos e dentes.
No segmento "o espaço passou a ser também um local de visitação controlada", o verbo "passar" integra uma locução verbal. Sob o aspecto da sintaxe de regência e da predicação verbal neste contexto específico, o verbo destacado constitui uma estrutura de: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho "o espaço passou a ser também um local de visitação controlada", a construção "passou a ser" indica mudança de estado do sujeito e se resolve pela relação entre sujeito e predicativo; assim, "também um local de visitação controlada" qualifica "o espaço", o que caracteriza estrutura de ligação e confirma a alternativa A.

Tema central: Predicação verbal
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque, nesse contexto específico, "passou" não aparece como verbo pleno com complemento próprio. Ele integra a perífrase "passou a ser", e o resultado sintático da oração é ligar o sujeito "o espaço" ao predicativo "também um local de visitação controlada". A oração atribui ao sujeito uma nova condição institucional e funcional, o que caracteriza estrutura de ligação.
B
Errada
Está errada porque não há objeto indireto regido por "passou". A preposição "a" em "passou a ser" integra a própria construção verbal e não introduz complemento exigido pelo verbo como núcleo pleno. Portanto, não se configura transitividade indireta.
C
Errada
Está errada porque "um local de visitação controlada" não funciona como objeto direto. Esse segmento não recebe a ação verbal; ele caracteriza o sujeito "o espaço". O termo posposto ao verbo, aqui, é predicativo do sujeito, não complemento verbal.
D
Errada
Está errada porque a ausência de objeto não autoriza classificar automaticamente a estrutura como intransitiva. Neste trecho, o ponto central não é um verbo de sentido pleno sem complemento, mas uma construção atributiva de mudança de estado, em que o sujeito é ligado a um predicativo.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o "a" de "passou a ser" como marca de objeto indireto e tomar "um local de visitação controlada" como objeto direto, quando a análise correta é de predicativo do sujeito em estrutura de ligação.
Dica para questões semelhantes
  • Analise a construção inteira, e não o verbo isoladamente: aqui, a chave está em "passou a ser", não em "passou" sozinho.
  • Verifique se o termo após o verbo recebe ação ou atribui característica ao sujeito; se atribui condição, tende a ser predicativo, não objeto.
  • Nem toda preposição indica objeto indireto; em perífrases como "passar a + infinitivo", ela pode integrar a própria locução verbal.

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