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Q3081175 Medicina

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


 colelitíase, comumente conhecida como cálculo biliar, é uma condição caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar, que podem ser compostos principalmente de colesterol, sais biliares ou bilirrubina. A condição é bastante comum e afeta uma proporção significativa da população, sendo mais prevalente em mulheres, especialmente aquelas com histórico de obesidade, idade avançada e fatores genéticos.

Considerando o contexto apresentado, julgue o item a seguir:


A cólica biliar, principal sintoma da colelitíase, é uma dor que pode se tornar contínua e, com o tempo, levar ao desenvolvimento de colecistite crônica, na qual o epitélio da vesícula biliar se atrofia e protrude para a camada muscular, resultando na formação dos seios de Rokitansky-Aschoff.

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Tema central: clínica e fisiopatologia da colelitíase, com ênfase em cólica biliar e evolução para colecistite crônica com formação dos seios de Rokitansky-Aschoff (RA).

Gabarito: C (certo)

Justificativa da correta:

A cólica biliar resulta de obstrução transitória do ducto cístico por cálculo, elevando a pressão intravesicular. Clinicamente, causa dor em hipocôndrio direito/epigástrio, frequentemente pós-prandial gordurosa, com caráter contínuo e “em aperto” (o termo “cólica” é histórico). Dura tipicamente 30 min a 6 h. Episódios repetidos e irritação mecânica/inflamatória crônica podem levar à colecistite crônica, com atrofia do epitélio, fibrose e hernição da mucosa na camada muscular, formando os seios de RA — achado característico da doença crônica (também visto na adenomiomatose). Isso corrobora integralmente a afirmação.

Como interpretar na prova:

  • Duração da dor: até 6 h sugere cólica biliar; >6 h com febre/leucocitose aponta para colecistite aguda.
  • Histologia: atrofia mucosa + seios de RA = crônica.

Exames que sustentam:

Ultrassonografia: cálculos com sombra acústica; na crônica, vesícula espessada/contraída; podem-se visualizar seios de RA ou artefatos em “cauda de cometa” (mais típico na adenomiomatose). Sinal de Murphy ultrassonográfico é mais útil na fase aguda.

Conduta (para contextualizar):

Colecistectomia videolaparoscópica eletiva é o tratamento de escolha na colelitíase sintomática; na aguda, recomenda-se cirurgia precoce. Em alto risco, considerar antibioticoterapia e colecistostomia percutânea. (Referências: UpToDate; Harrison’s; Diretrizes WSES 2020/2023 para colecistite calculosa).

Análise da alternativa incorreta (E - errado):

  • Poderia ser escolhida por quem acredita que “cólica” seria dor em cólica intermitente; porém, na prática, a dor é contínua, o que não invalida o enunciado.
  • Outra armadilha: pensar que seios de RA ocorrem apenas na adenomiomatose. Eles são característicos da cronicidade da vesícula, podendo coexistir em ambas as condições.

Pegadinhas a evitar:

  • “Cólica” ≠ dor intermitente: aqui ela é visceral, contínua.
  • Tempo da dor é chave para diferenciar cólica biliar de colecistite aguda.

Fontes: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Biliary colic; Chronic cholecystitis); WSES Guidelines for acute calculous cholecystitis (2020/2023); SAGES.

Conclusão: A assertiva descreve corretamente a evolução clínica e os achados morfológicos da colelitíase para colecistite crônica com seios de Rokitansky-Aschoff. Logo, C – certo.

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