Por mais de dois mil anos, segundo o filósofo inglês Roger S...

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Ano: 2013 Banca: FUNCAB Órgão: DAE-CE
Q1223854 Português
Por mais de dois mil anos, segundo o filósofo inglês Roger Scruton, a Arte serviu como remédio para os problemas da sociedade, uma maneira tanto de relatar como de escapar da infelicidade da vida cotidiana; atualmente, em vez disso, a beleza foi posta de lado e a Arte não serve de refúgio, mas dá suporte ao egoísmo dos nossos dias. Roger Scruton aponta o culto à feiura e o pragmatismo como as principais causas do problema.
No primeiro caso, argumenta ele, a Arte, ao abandonar a beleza, perdeu seu principal objetivo, o de fazer com que atribuamos sentido à vida, nos consolando das tristezas, como para Platão, ou ainda, como defendiam os filósofos iluministas, ajudando a galgar alguns degraus da escadaria que nos conduz para longe das banalidades do cotidiano.
A partir de um momento decisivo da história da Arte, a beleza teve sua importância diminuída. O propósito da Arte deixa de ser atribuir sentido à vida e é substituído pelo desejo de causar impacto a todo custo. O caminho mais curto para isso, de acordo com Scruton, foi romper com a moral tradicional e estabelecer o escárnio moral. A quebra de tabus passou a ser a bandeira da Arte dita moderna: profanar e dessacralizar o sacro, cultuar o feio – levando todos, dos especialistas ao apreciador comum, à total confusão. Isso se deve a uma concepção de Arte equivocada, presente no discurso de parte da crítica: “O repúdio à Beleza ganha forma com base em uma visão particular da Arte moderna e de sua história. De acordo com muitos críticos atuais, um trabalho [de Arte] se justifica a si próprio ao anunciar-se como um visitante do futuro. O valor da Arte está em chocar: a Arte existe para nos despertar de nossa situação histórica e nos lembrar da interminável mudança, que é a única coisa permanente na natureza humana”.
Já o culto ao valor prático das coisas levou ao estado atual, que, por sua vez, faz com que o valor das coisas resida na sua utilidade prática – o chamado pragmatismo. Scruton menciona em seu documentário que Oscar Wilde já afirmava que “toda Arte é inútil”, mesma posição de Hannah Arendt. A beleza (e a Arte) não têm utilidade, mas é justamente por isso, enfatiza Scruton, que podemos ressaltar sua importância como valor universal; valor que, no entender do filósofo inglês, está enraizado na própria natureza humana. Com isso ele remete sua apologia da beleza a Shaftesbury e a Kant.
A fruição estética é uma atividade desinteressada e, portanto, inútil. Mas isso desmerece em algum sentido a contemplação? Não, no mesmo sentido em que a amizade, o amor, o ato de ouvir uma música ou ainda o sorriso de um bebê, embora não tenham “utilidade prática”, não perdem seu valor nem passam a ser coisas que dispensamos sem sofrer algum tipo de consequência. Mesmo sem ter uma utilidade prática definida, você já se imaginou sem amor, sem amizade, sem apreciar boa música, bom cinema? Ou, lembrando [...] a Arquitetura – inútil, na perspectiva pragmatista –, não nos sentimos melhor em um prédio belo? A busca das pessoas, na Grã-Bretanha, de prédios construídos no período vitoriano não corroboraria essa hipótese?
(BARRETO, André Asso. Rev. : agosto de 2012, p. 27-29.)
Preserva-se o acento grave no “a” – em “[...] levando todos, dos especialistas ao apreciador comum, à total confusão.” (§ 3) – caso se reescreva “à total confusão” como se propõe em:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A manutenção do acento grave em "[...] levando todos, dos especialistas ao apreciador comum, à total confusão." depende da regência com a preposição "a" e da presença de termo feminino determinado por artigo definido. Entre as reescritas, só "à confusão em que ora se acham" preserva essa fusão de preposição com artigo feminino.

Tema central: crase
Análise das alternativas
A
Errada
Em "à uma confusão sem limites", há artigo indefinido "uma". Como a crase resulta da fusão da preposição "a" com artigo definido feminino, a forma acentuada não se mantém.
B
Errada
Em "à essa confusão que os desorienta", a base da questão exige a preservação inequívoca da estrutura com substantivo feminino determinado por artigo definido. Aqui, o segmento é introduzido por pronome demonstrativo, o que afasta essa condição formal cobrada pelo item.
C
Errada
Em "à muita confusão", "muita" tem valor indefinido/quantificador, sem artigo definido feminino introduzindo o nome. Assim, não se verifica a fusão necessária para a crase.
D
Certa
A alternativa D preserva a estrutura exigida pela base: mantém-se a preposição regida pela construção e o núcleo nominal feminino "confusão", com artigo definido feminino. A oração "em que ora se acham" apenas especifica o termo e não interfere na crase.
E
Errada
Em "à confusões intermináveis", o substantivo está no plural. A estrutura não corresponde à forma exigida para preservar a crase, que, no plural, dependeria da forma correspondente com artigo plural.
Pegadinha da questão
A questão tenta levar o candidato a confundir qualquer termo feminino com a estrutura que realmente admite crase. O ponto decisivo é a presença da preposição exigida e do artigo definido feminino.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a regência exige a preposição "a".
  • Confira se o termo seguinte é substantivo feminino com artigo definido, e não artigo indefinido, pronome ou quantificador.
  • No plural, observe se a forma correta seria "às".
  • Em reescritas, identifique o núcleo do sintagma: é ele que define a crase.

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