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Q3947002 Medicina
Um homem de 62 anos com história prévia de tabagismo, hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 procurou atendimento devido à angina aos moderados esforços. Ele possui eletrocardiograma sem alterações isquêmicas, ecocardiograma transtorácico com fração de ejeção de 48% sem alterações segmentares, cintilografia com isquemia em 9% e angiotomografia de coronárias com presença de placa mista em terço proximal de artéria descendente anterior com estenose de 60% e escore de cálcio de 630. Além de iniciar tratamento com estatina de alta potência, iECA e AAS, qual é a melhor conduta nesse caso? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na síndrome coronariana crônica estável, a presença de angina aos moderados esforços, lesão intermediária de 60% em DA proximal, isquemia não extensa (9%) e ausência de tratamento antianginoso previamente otimizado não impõe revascularização imediata; a conduta inicial correta é otimizar o tratamento clínico e reavaliar a resposta.

Tema central: Angina estável crônica
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro é de doença coronariana crônica estável, sem sinal de alto risco anatômico inequívoco, sem grande território isquêmico e sem demonstração de refratariedade após terapia antianginosa plena. A estenose de 60% em angiotomografia é uma lesão intermediária, que isoladamente não impõe angioplastia ou cirurgia. Como a principal lógica de revascularização nesse contexto é sintomas persistentes apesar de tratamento otimizado ou anatomia/risco mais graves, a melhor conduta inicial é completar a terapia clínica antianginosa e preventiva e reavaliar evolução.
B
Errada
Está errada porque não há descrição de anatomia que sustente cirurgia de revascularização: não foi mostrado tronco de coronária esquerda, doença multiarterial complexa nem outra configuração anatômica de maior gravidade. Também não houve falha de tratamento clínico prévio. Fatores de risco e escore de cálcio alto não substituem critério anatômico específico para indicar CRM.
C
Errada
Está errada porque uma lesão de 60% em DA proximal, vista em exame anatômico, é intermediária e não define por si só necessidade de angioplastia imediata. Além disso, o paciente está estável e ainda não teve tratamento antianginoso otimizado, então falta o principal critério clínico que costuma sustentar revascularização nesse cenário: persistência de sintomas apesar de terapia adequada.
D
Errada
Está errada porque associar clopidogrel ao AAS rotineiramente não é a melhor conduta em doença coronariana crônica estável sem SCA recente, stent recente ou outra indicação específica. Essa alternativa também falha em atacar o problema central do caso, que é a necessidade de otimização antianginosa antes de partir para outras estratégias.
E
Errada
Está errada como melhor próxima conduta porque, embora FFR/iFR possa ter utilidade na avaliação de lesão intermediária quando se planeja estratégia invasiva, a questão cobra a etapa inicial mais apropriada. Neste caso, o paciente estável ainda não recebeu terapia antianginosa otimizada, e isso vem antes da coronariografia invasiva para decisão terapêutica.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de transformar três achados chamativos — DA proximal, estenose de 60% e escore de cálcio 630 — em indicação automática de intervenção. O erro é ignorar que se trata de lesão intermediária em paciente estável, com isquemia não extensa e sem tratamento antianginoso otimizado prévio.
Dica para questões semelhantes
  • Em angina estável, primeiro defina se há alto risco inequívoco ou refratariedade sintomática; sem isso, a base costuma ser tratamento clínico otimizado.
  • Não use estenose de 50 a 70% em exame anatômico isolado como indicação automática de revascularização.
  • Isquemia moderada e paciente ainda sem antianginoso otimizado favorecem conduta conservadora inicial.
  • Escore de cálcio alto indica carga aterosclerótica, mas não decide sozinho por angioplastia ou cirurgia.

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