... dos que opõem à tirania do essencial a validade do exis...

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Ano: 2006 Banca: FCC Órgão: BACEN Prova: FCC - 2006 - BACEN - Técnico |
Q2248646 Português
A questão de número baseia-se no texto apresentado abaixo.

           Não há, com relação a doces, nem com relação a guisados, um gosto que, apenas fisiológico, seja especificamente universal: do Homem e não de homens situados; da sociedade humana e não de uma sociedade; de todas as sociedades e não de umas tantas sociedades. O que Marx impugnou em Hegel com relação à Idéia – que seria um princípio metafísico ou uma essência poderia impugnar ao teórico do Paladar que o considerasse expressão de um princípio apenas fisiológico, independente de circunstâncias, em vez de expressão, principalmente, de um “princípio social”. Machado acertou. Revelouse um sociólogo dos que opõem à tirania do essencial a validade do existencial. Pois a verdade parece ser realmente esta: a das nossas preferências de paladar serem condicionadas, nas suas expressões específicas, pelas sociedades a que pertencemos, pelas culturas de que participamos, pelas ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa existência.

(Gilberto Freyre, Açúcar. Coleção Canavieira n. 2. Divulgação do Ministério da Indústria e do Comércio, Instituto do Açúcar e do Álcool, 1969, p. 44)

... dos que opõem à tirania do essencial a validade do existencial. (11a linha)



Em outras palavras, a afirmativa transcrita acima aponta 

Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O comando pede uma paráfrase de “Machado acertou. Revelou-se um sociólogo dos que opõem à tirania do essencial a validade do existencial. Pois a verdade parece ser realmente esta: a das nossas preferências de paladar serem condicionadas, nas suas expressões específicas, pelas sociedades a que pertencemos, pelas culturas de que participamos, pelas ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa existência.” Nesse contexto, “essencial” opõe-se ao que seria universal, abstrato e independente das circunstâncias, enquanto “existencial” remete ao concreto, socialmente situado e vivido; por isso, a alternativa correta é a que traduz a valorização das influências do meio social e cultural efetivamente experimentado.

Tema central: condicionamento social do paladar
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o sentido para uma suposta “universalização dos hábitos alimentares”, quando o texto afirma exatamente o contrário: “Não há... um gosto que, apenas fisiológico, seja especificamente universal”. O autor contesta a universalização do gosto, não demonstra preocupação em promovê-la.
B
Certa
A alternativa B preserva o núcleo semântico do trecho destacado: o texto rejeita que o gosto decorra de um princípio universal e apenas fisiológico e afirma que ele é condicionado pelas sociedades, culturas e ecologias em que se vive. Assim, a formulação da alternativa corresponde à “validade do existencial”, isto é, à valorização das influências concretas do ambiente social e cultural.
C
Errada
Está errada porque atribui ao texto a aceitação de que o gosto seja um aspecto fisiológico do ser humano como fundamento explicativo suficiente. O texto rejeita essa tese ao negar um gosto “apenas fisiológico” e ao afirmar que se trata, principalmente, de um “princípio social”.
D
Errada
Está errada por extrapolação sem apoio textual. O trecho não fala em “dificuldades”, nem em “desconhecimento”, nem em “alimentos típicos regionais”. O foco está no condicionamento social, cultural e ecológico das preferências de paladar.
E
Errada
Está errada porque reduz a tese a uma oposição simplificada entre sociedade e pessoa isolada. O texto é mais específico: contrapõe o essencial ao existencial e explica esse “existencial” como condicionamento pelas sociedades, culturas e ecologias. Além disso, a ideia de “desconsideração” não corresponde ao movimento argumentativo do autor.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a presença da palavra “universal” e uma suposta defesa da universalização, quando o texto faz justamente a negação disso, e também testa se o candidato lê “existencial” pelo contexto social e cultural do próprio texto, e não como noção vaga.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir “em outras palavras”, procure a alternativa que preserve a relação de sentido do trecho, não apenas palavras do mesmo campo temático.
  • Leia a expressão destacada junto com o período seguinte, porque é ele que explicita o conteúdo de “existencial” no texto.
  • Elimine alternativas que reintroduzam uma tese negada expressamente pelo autor, como a explicação universal e apenas fisiológica do paladar.

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Revelouse um sociólogo dos que opõem à tirania do essencial a validade do existencial. Pois a verdade parece ser realmente esta: a das nossas preferências de paladar serem condicionadas, nas suas expressões específicas, pelas sociedades a que pertencemos, pelas culturas de que participamos, pelas ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa existência.

Gab: B

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