Analise cada afirmação abaixo, segundo as regras vigentes d...
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Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
ISET
Órgão:
Câmara de Seabra - BA
Provas:
ISET - 2026 - Câmara de Seabra - BA - Advogado
|
ISET - 2026 - Câmara de Seabra - BA - Contador |
ISET - 2026 - Câmara de Seabra - BA - Jornalista |
Q4382693
Português
Texto associado
TEXTO I
Os piores entre nós
Instituições não existem. Só existem pessoas
Instituições são ficções. Em Sapiens, Yuval Harari chama a
Peugeot, a montadora francesa de automóveis, de uma ficção
jurídica: os carros, as fábricas e os funcionários existem
fisicamente, mas a empresa é uma entidade imaginária cuja
existência depende de leis e do que ele chama de uma “história
compartilhada” na qual combinaram de acreditar. Mas ninguém
jamais tocou na Peugeot ou jantou com ela – a Peugeot não é
um organismo vivo ou um objeto físico. A mesma coisa pode
ser dita de um governo, de um Congresso ou de um Tribunal.
Essas instituições são ficções, representadas essencialmente
pelas pessoas que as compõem.
Instituições não existem. Só existem pessoas – e elas podem
ser competentes ou incapazes, virtuosas ou maléficas,
generosas ou psicopatas.
O economista Douglas North, no seu livro Instituições,
Mudança Institucional e Desempenho Econômico, diz que
instituições são as regras do jogo em uma sociedade.
Instituições são a Constituição, as leis, os regulamentos, as
tradições e as regras não escritas de convívio social. Segundo
North, as instituições de um país determinam seu
desenvolvimento. Mas regras, em si, não são suficientes. É
preciso que as pessoas decidam respeitá-las.
Em 2011, ao falar no Senado dos EUA, Antonin Scalia, juiz da
Suprema Corte americana, lembrou que a antiga União
Soviética – que ele, ecoando Ronald Regan, chamou de império
do mal – tinha uma Constituição que garantia direitos muito
mais amplos do que os previstos na Constituição americana.
Mas eram direitos de papel, que nada valiam diante do Estado
soviético. Scalia disse que a liberdade americana não é
garantida por palavras, mas por uma estrutura de governo que,
dividindo o Estado em vários poderes que competem entre si,
impede a hegemonia de qualquer um deles. O confronto entre
os poderes não é um problema – essa foi a mensagem de
Scalia. A disputa entre poderes é a garantia de nossa liberdade.
Daron Acemoglu e James Robinson, autores de Por Que as
Nações Fracassam, dividem as instituições em dois grupos:
extrativas – quando extraem riqueza da sociedade para
concentrá-la nas mãos de poucos – e inclusivas – quando
permitem que a maior parte da sociedade se beneficie da
riqueza. Nossas instituições são, evidentemente, extrativas.
Mesmo as mais inclusivas são conduzidas por pessoas, e a
condução refletirá a concepção que essas pessoas têm do
Estado. Para algumas delas, a função do Estado é enriquecêlas.
No prefácio de sua excepcional tradução de A República de
Platão, Allan Bloom comenta a preocupação de Sócrates com
a educação dos governantes: “Os regimes dependem das virtudes dos homens e não das instituições; se as virtudes mais
altas não estiverem presentes nos governantes, um regime
inferior será instituído. Não há guardiões acima dos guardiões
[...]”.
Alguém precisa dizer isso aos brasileiros que, repetidamente,
caem na armadilha ideológica e emocional de atribuir
abstrações políticas (“democracia”, “Estado Democrático de
Direito”, “Constituição”, “tribunal” ou “conselho”) o mágico poder
de consertar as imoralidades e punir os crimes, apenas para ver
essas abstrações sendo usadas como justificativa para mais
imoralidades e mais crimes. As instituições às quais confiamos
nossos direitos se revelaram quadrilhas organizadas para nos
expropriar.
Instituições não existem. Só existem pessoas. E um indivíduo
ou um grupo, investido de grande poder, só será contido por
outros indivíduos, ou grupos com poder semelhantes, que
recusem submissão. Mas, em nosso país, a submissão parece
estar sempre ao alcance de um uísque puro malte, um contrato
de “assessoria” e uma promessa de manter em segredo
mensagens, fotos e vídeos comprometedores.
Os incentivos da política são perversos em todos os lugares,
como já explicou Niall Ferguson em A Grande Degeneração.
Políticos são estimulados a mentir, fraudar e roubar porque a
recompensa é enorme, e o custo – a possibilidade de punição
– é baixo. Mas, quando essas práticas contaminam até as áreas
do Estado responsáveis pela aplicação da lei, a pergunta que o
cidadão se faz é: como é possível que tenhamos selecionado,
para nos governar, os piores entre nós?
Fonte: MOTTA, Roberto. Revista Oeste, ed.342. Os piores entre nós.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-342/os-piores-entre-nos-2/ (adaptado).
Analise cada afirmação abaixo, segundo as regras
vigentes de acentuação gráfica, antes de julgar o que se
pede.
( ) Em “Instituições são ficções. Em Sapiens, Yuval Harari chama a Peugeot, a montadora francesa de automóveis, de uma ficção jurídica: os carros, as fábricas e os funcionários existem fisicamente...” (1º par.), ambas as palavras em destaque podem ser consideradas proparoxítonas, o que justifica sua obrigatoriedade quanto à regra de acentuação.
( ) Em “Segundo North, as instituições de um país determinam seu desenvolvimento.” (3º par.), o vocábulo em destaque é acentuado pela regra das oxítonas.
( ) Em “Mesmo as mais inclusivas são conduzidas por pessoas, e a condução refletirá a concepção que essas pessoas têm do Estado.” (5º par.), apesar de ser um monossílabo tônico, a palavra em destaque é acentuada pela regra do acento diferencial.
( ) Em “...se as virtudes mais altas não estiverem presentes nos governantes, um regime inferior será instituído.” (6º par.), o vocábulo em destaque justifica o emprego do acento pela regra das paroxítonas.
( ) Em “Alguém precisa dizer isso aos brasileiros que, repetidamente, caem na armadilha ideológica e emocional de atribuir abstrações políticas...” (7º par.), as palavras em destaque possuem mesma tonicidade silábica, porém a primeira é acentuada pela regra do acento diferencial.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
( ) Em “Instituições são ficções. Em Sapiens, Yuval Harari chama a Peugeot, a montadora francesa de automóveis, de uma ficção jurídica: os carros, as fábricas e os funcionários existem fisicamente...” (1º par.), ambas as palavras em destaque podem ser consideradas proparoxítonas, o que justifica sua obrigatoriedade quanto à regra de acentuação.
( ) Em “Segundo North, as instituições de um país determinam seu desenvolvimento.” (3º par.), o vocábulo em destaque é acentuado pela regra das oxítonas.
( ) Em “Mesmo as mais inclusivas são conduzidas por pessoas, e a condução refletirá a concepção que essas pessoas têm do Estado.” (5º par.), apesar de ser um monossílabo tônico, a palavra em destaque é acentuada pela regra do acento diferencial.
( ) Em “...se as virtudes mais altas não estiverem presentes nos governantes, um regime inferior será instituído.” (6º par.), o vocábulo em destaque justifica o emprego do acento pela regra das paroxítonas.
( ) Em “Alguém precisa dizer isso aos brasileiros que, repetidamente, caem na armadilha ideológica e emocional de atribuir abstrações políticas...” (7º par.), as palavras em destaque possuem mesma tonicidade silábica, porém a primeira é acentuada pela regra do acento diferencial.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.